São Paulo O empresário Antônio Ermírio de Morais, presidente do Grupo Votorantim, afirmou ontem, em São Paulo, que o Fome Zero tem muita burocracia, o que acabará por usar os recursos numa atividade meio de fiscalização da proposta em vez de se destinar exclusivamente para a idéia fim: terminar com a subalimentação.
''Espero que dê certo, vamos torcer, mas é complicado. Criar um time para controlar esse Fome Zero, uma empresa cheia de pessoas que consumirão esse dinheiro, isso não adianta'', disse, sobre a fiscalização e a exigência de recibo ou comprovante da compra. ''Vamos criar uma enorme burocracia só para controlar R$ 50? Tenha a santa paciência'', criticou.
Para ele, seria melhor adotar o modelo do Renda Cidadã, um programa do governo paulista, pelo qual cada família recebe R$ 60 por mês. O dinheiro pode ser sacado com cartão magnético, que fica no nome da mãe e pode ser usado em alimentos ou qualquer outro item de maior necessidade, sem comprovação do gasto efetuado. Cerca de 60 mil famílias são atendidas no Estado.
O empresário disse ainda que, ao contrário do que ocorre em alguns países como Uganda, não existe a possibilidade de alguém morrer de fome no Brasil. Segundo ele, a criação de emprego é até mais importante do que o Fome Zero, se comparada às carências das Regiões Sudeste e Nordeste. ''Lá no Nordeste, de modo geral, a carência é de água. Aqui, o que realmente temos de criar é emprego. Isso é mais complicado, mas acho que o programo prioritário devia ser a criação de emprego'', afirmou. ''Com emprego, acho que a fome desaparece.''
Ermírio disse que a reforma previdenciária é mais urgente do que a tributária. ''Nós já estamos vivendo com esses tributos que estão aí. Mas temos de arranjar uma maneira de diminuir o contingente que está na informalidade e representa, hoje, 60% da população economicamente ativa, mais ou menos uns 40 milhões de trabalhadores; é muita coisa'', afirmou.

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