Curitiba - O processo de transição tocado pelas equipes designadas por Jaime Lerner (PFL) e pelo governador eleito, Roberto Requião (PMDB) adversários históricos , teve ontem o primeiro desentendimento sério, que chegou a ameaçar, conforme a Folha apurou, a continuidade dos trabalhos, iniciados em 28 de outubro, dia seguinte ao segundo turno das eleições.
De acordo com a versão do porta-voz do PMDB, o deputado estadual e vice-governador eleito Orlando Pessuti (PMDB), o secretário da Fazenda, Ingo Hubert, suspendeu a reunião de ontem pela manhã. O secretário estaria irritado com declarações de Pessuti à imprensa. O estopim da briga foi a veiculação de uma matéria onde Pessuti questiona a veracidade de números fornecidos pela equipe de Lerner. Principalmente a dívida que, segundo a Fazenda, estaria próxima a R$ 10 bilhões, enquanto os peemedebistas acreditam que o montante seja de R$ 15 bilhões. Hubert teria pedido uma retratação de Pessuti por conta dessa entrevista, o que não foi confirmado oficialmente. Segundo o vice eleito, Hubert disse que o ataque às informações fornecidas por ele não estão dentro do ''clima de cordialidade'' acertado entre Lerner e Requião na primeira reunião de transição. ''A entrevista que dei não foi ofensiva. Não vejo razão para cancelar reunião nenhuma. E não é novidade que nós, como oposição, questionamos dados do atual governo'', reclamou Pessuti. Ele disse que tentaria falar ainda ontem com Hubert, para esclarecer o atrito. ''Nosso relacionamento sempre foi bom'', acrescentou.
A reunião de ontem era considerada crucial pelos peemedebistas, porque trataria da Operação Verão no Litoral que afeta diretamente a administração futura. O atual governo ainda não teria autorizado a licitação para a coleta do lixo. O secretário do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, não foi à reunião, ao contrário do que esperava o PMDB. ''Vai ficar muito em cima. Já pedimos para soltar o edital'', declarou Pessuti. O processo licitatório poderia ser iniciado nas próximas horas.
Pessuti acredita que o motivo da suspensão da reunião pode ser outro. ''Não sei qual, mas não acho que (o questionamento dos números) seja um ataque.'' A Folha apurou que, dentro do PMDB, a avaliação corrente é que os dados estão saindo em ''conta-gotas'', e que o governo deveria abrir a ''caixa-preta''. Ou seja, o governo teria usado a entrevista de Pessuti como pretexto para não revelar outros dados, considerados mais delicados.

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