Equipe prepara cirurgia para retirar tumor maligno de Covas
Duas equipes de urologistas e cardiologistas deverão se revezar na cirurgia para a remoção do tumor maligno na bexiga do governador Mário Covas. Oito médicos vão participar da operação, segunda-feira de manhã, coordenada pelo cirurgião e urologista Sami Arap. Covas é safenado - em 1986 ele recebeu duas pontes de safena e uma de mamária - o que implica cuidados maiores para uma cirurgia já complexa, com até 9 horas de duração.
Para alguém operado há 12 anos, o governador está em condições excelentes e os exames mostraram o músculo cardíaco em condições normais, afirmou o cardiologista Whady Hueb, um dos responsáveis pelo tratamento. Os exames pré-operatórios começaram a ser feitos ontem de manhã e apenas hoje o governador terá de submeter-se a uma dieta líquida para evitar a formação de resíduos em seu intestino. Um segmento do órgão deverá ser retirado e reconstruído na forma de uma bolsa para substituir a bexiga afetada pelo câncer.
Chamada de cistoprostatectomia radical, a operação vai extrair a bexiga, a próstata, a vesícula seminal e, num procedimento preparatório, todos os gânglios linfáticos relacionados a esses órgãos. Os médicos trabalham com a hipótese de que um dos ureteres tenha sido atingido pelo tumor. A suspeita surgiu porque o governador, há algumas semanas, vinha reclamando de dores na região. Vamos retirar 4 ou 5 centímetros de ureter terminal (na parte mais próxima da bexiga) por medida de segurança, explicou Sami Arap. O esquerdo está parcialmente obstruído e por isso vamos removê-lo, mas não quer dizer que o tumor tenha invadido; pode estar apenas comprimindo o canal.
O corte da cirurgia começa no púbis e pode ultrapassar em cerca de 4 centímetros o umbigo de Covas. Não há risco de rejeição da bexiga substituta, ressaltou Arap. O tratamento posterior será definido depois de pelo menos uma semana, quando começam a sair os resultados dos exames que serão feitos em todo o material extraído do governador. Esses exames irão verificar as características e extensão do tumor, assim como o comprometimento dos outros órgãos retirados. A partir dessa análise, se for constatada a disseminação ou hipótese de metástase da doença, a quimioterapia e a imunoterapia são os mais importantes recursos de tratamento.
De acordo com o boletim médico divulgado ontem, o quadro clínico de Covas é considerado bom. Ele não tem dores, tanto é que saiu do quarto para uma nova visita a sua colega de andar. Maria de Almeida Shirts, de 7 anos, conquistou o carinho do governador depois de mandar um bilhete cheio de desenhos, na terça-feira, desejando-lhe sorte. A menina, que fez uma cirurgia cardíaca, ganhou dele ontem um leãozinho de pelúcia, carregando um filhote na boca, e uma carta compridinha. Gostei muito do presente, da carta e dele, contou Maria. Ele é muito simpático; quando eu for embora quero mandar uma carta de despedida e, não sei onde ele mora, mas poderia mandar outras cartas.
Tem sido difícil controlar a ansiedade do governador. É o que diz quem passou pelo 6º andar do Instituto do Coração. Ele queria descer para falar com os jornalistas, mas não deixei porque o tempo está chuvoso, esquisito, disse o médico particular de Covas e infectologista, David Uip.
O presidente Fernando Henrique Cardoso foi um dos visitantes que Covas recebeu ontem, às 18 horas. Outros que foram ver o governador, foram o rabino Henry Sobel, o ministro da Administração, Luiz Carlos Bresser Pereira, o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilella (AL) e o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (SP).Sebastião Moreira/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)ConfiançaMédico David Uip, cercado por jornalistas, fala sobre o estado de saúde de Covas, no saguão do IncorMariana Caetano
Agência Estado





