Brasília - A cinco dias de assumir o governo do país, a equipe de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez ontem as críticas mais duras aos oito anos da gestão que sucede, do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O relatório final da equipe petista, narrado pelo coordenador-geral da transição e novo titular da Fazenda, Antonio Palocci, aos futuros ministros e secretários criticou a economia do país apontou falhas e retrocesso no âmbito social, principal bandeira de campanha do PT para chegar à Presidência.
O futuro ministro ressaltou ainda que ''a falta de planejamento governamental atingiu um nível de esvaziamento brutal'', e que este foi um dos temas que mais despertou a atenção do grupo de trabalho que ele encabeçou.
O pronunciamento de Palocci antecedeu o discurso de Lula, em tom mais brando, que reafirmou promessas com o social mescladas às suas tradicionais metáforas futebolísticas. O presidente eleito disse que ''fez questão de não se meter no trabalho da transição'' e que sua primeira conquista fora ''a recuperação da auto-estima do brasileiro''.
Palocci declarou que as políticas sociais implementadas ''foram adereços e apêndices do esforço de controlar a economia''. Segundo ele, os programas sociais foram improvisados nos últimos dois anos do governo FHC, ilustrando que a inclusão social nunca foi tema central da política de Estado.
Inflação e dólar - Outra prioridade do futuro governo será baixar a cotação do dólar a partir do primeiro dia de 2003 e zelar pela estabilidade monetária, atrelada à retomada do crescimento sustentável.
''A instabilidade atual questiona os próprios avanços que se obtiveram com a estabilidade da moeda, o controle relativo da inflação e um marco institucional fortalecido pela responsabilidade fiscal'', disse.
Em relação à inflação, Palocci disse que o cenário instável ''é uma herança pesada, que amplia a responsabilidade do novo governo''. Apesar das críticas ao panorama econômico, ele disse que vai honrar os contratos internacionais e não adotará nenhuma medida exótica.
Educação- O futuro ministro destacou a melhora da educação como uma das prioridades no futuro governo. Segundo ele, a meta é dobrar a escolaridade média do brasileiro - atualmente de 5,41 anos, segundo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
''Apenas 20% dos jovens de 15 a 17 anos estão no ensino médio e apenas 8% dos jovens de 18 a 24 anos estão no ensino superior, os índices mais baixos da América Latina'', afirmou. Em seguida, Lula afirmou que é necessário o avanço na qualidade do ensino fundamental.
Fome - Durante a apresentação do balanço da equipe de transição, Palocci usou a expressão recorrente de Lula, de que ''todos os brasileiros precisam de três alimentações básicas diárias'' para frisar a implantação do projeto Fome Zero.
Segundo ele, ''a virtude dessa campanha é combinar uma ação do Estado com uma ampla mobilização social a partir de organizações não-governamentais''.

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