Equipe de transição confirma caixa-preta
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quarta-feira, 08 de novembro de 2000
Marta Medeiros e Marcos Zanatta De Maringá 
A equipe de transição do prefeito eleito de Maringá, José Cláudio Pereira Neto (PT), começou ontem a percorrer as secretarias para tentar conhecer a situação financeira do município. Isso aqui é realmente uma caixa preta, disseram os assessores, utilizando a mesma denominação feita por José Cláudio sobre a Prefeitura de Maringá.
A equipe de transição acabou se dividindo em três frentes de trabalho. Uma delas tenta agilizar o contato com deputados federais e estaduais para inserir pedidos de verbas nos orçamentos da União e do Estado que fecham nesta sexta-feira. Uma outra é formada por três economistas da Universidade Estadual de Maringá (UEM) que irão fazer um trabalho de caráter voluntário segundo o PT, para levantar um dignóstico financeiro da prefeitura. A equipe se instalou ontem na Secretaria de Fazenda.
A secretaria já convive com duas auditorias, uma interna da própria prefeitura e outra do Tribunal de Contas do Paraná (TC). As duas investigam desvios de recursos denunciados em uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito licenciado Jairo Gianoto (PSDB) e o ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi. O tucano está licenciado do cargo por tempo indeterminado desde o dia 16 de outubro.
A terceira frente da equipe é de uma empresa de consultoria contratada pelo PT. Objetivo é preparar para o prefeito eleito um relatório sobre o funcionamento do organograma, além de identificar verbas disponíveis ou não por causa de convênios e contratos firmados pela prefeitura. Consultores começaram ontem, junto com integrantes da equipe do PT, a percorrer as secretarias da prefeitura. O coordenador da equipe de transição, Silvio Luiz Januário, acredita que o trabalho em todos os departamentos irá levar 25 dias. O primeiro secretário a receber a equipe foi o de Administração, Advanir Alves Ferreira.
Enquanto o PT faz um raio-x nas contas da prefeitura, o Movimento pela Ética na Política de Maringá quer lutar pelo ressarcimento do dinheiro desviado da prefeitura, além de reivindicar transparência na gestão municipal. Até agora, o rombo na administração de Gianoto alcança R$ 3,1 milhões levantados pelo Ministério Público (MP) e outros R$ 4,2 milhões encontrados pela auditoria interna. As eleições e o Ministério Público já estão restabalecendo a moral do poder público. Vamos brigar agora pela punição aos culpados e o ressarcimento dos valores, defende o advogado Alberto Abrão Wagner da Rocha, um dos coordenadores do movimento.
Ele prega ainda uma participação mais abrangente da sociedade civil na defesa do trabalho do MP. Rocha explica que as mais de 30 entidades envolvidas com o movimento estão mobilizadas para acompanhar todos os levantamentos realizados pela promotoria. Queremos agilidade no sequestro de bens dos envolvidos porque só assim teremos a garantia de devolução do dinheiro desviado, lembra. O movimento não quer, segundo Rocha, cobrar apenas o fim dos desvios.
Os comprovadamente envolvidos, na opinião do coordenador do movimento, deveriam cumprir penas prestando serviços comunitários. Talvez assim terão uma visão mais próxima das dificuldades que as pessoas que dependem dos serviços públicos enfrentam, dispara. Rocha compara ainda que se o desvio total chegar mesmo a R$ 100 milhões, como garante uma fonte da Folha, Maringá perdeu muito nos últimos anos. O valor é igual ao orçamento da prefeitura por um ano, ou quase toda a dívida do município, que é muito alta, lembra.
O orçamento da prefeitura para o próximo ano é de R$ 115 milhões, mas está todo comprometido com folha de pagamento e dívidas, que chegam a R$ 110 milhões. O valor coloca Maringá como um dos municípios que mais devem em todo o País.


