Começou ontem a transição de governo na Prefeitura de Londrina, em meio a promessas de redução no número de comissionados, de definição de secretariado a partir de indicações feitas por representantes da sociedade civil organizada e de uma consultoria que balisará eventuais cortes no organograma da administração municipal. As propostas foram colocadas ontem pelo prefeito eleito Barbosa Neto (PDT), em reunião no gabinete com o prefeito interino José Roque Neto (PTB) e com entidades de Londrina.
Na ocasião foi formada a equipe de transição com representantes dos dois grupos: pelo lado de Barbosa, a integrarão seu vice, Joaquim José Ribeiro, o coordenador da campanha Kentaro Takahara e os coordenadores de comunicação, Roberto Coutinho Mendes e Renato Mantovani. Pelo Executivo, completam o staff o próprio Roque Neto, o procurador-geral e secretário Municipal de Gestão Pública, Nilso Paulo da Silva, e o secretário de Governo, Tercílio Turini. A primeira reunião de trabalho da nova equipe acontece hoje às 9 horas.
Eleito anteontem por 135.507 votos (54,12%) contra 114.867 (45,88%) de Luiz Carlos Hauly (PSDB), Barbosa passou antes pela Câmara, onde se reuniu com vereadores na sala da Presidência ''para uma visita de cortesia''. Instantes depois, já no gabinete do prefeito, disse que pretende com os parlamentares um ''pacto por Londrina''. ''Queremos evitar que haja a convocação do prefeito (por parte do Legislativo); que possamos atravessar a praça entre os dois prédios não só nesse caso ou para prestação de contas. Queremos um novo momento, e pedimos isso inclusive para a própria imprensa: a gente pede um momento de trégua, de pacificação'', discursou.
Após o anúncio da equipe de transição, o prefeito eleito reforçou o propósito de governar ''com apenas 50 cargos em comissão'', sem especificar, contudo, se o número valerá apenas para a administração direta ou também para a indireta. Atualmente, todo o quadro - entre comissionados e conselheiros remunerados da administração indireta - da fase interina tem mais de 170 desses nomes.
Consultoria
Para a redução de cargos e também de outros custeios da máquina, argumentou Barbosa, será necessária uma ''consultoria'' - logo após se sagrar prefeito, no domingo, citou, em entrevita coletiva, que faria, na verdade, uma auditoria nas contas e contratos da Prefeitura. Ontem, recuou - e não conseguiu explicar se a pretendida consultoria será ou não paga com recursos do Município. ''Não sei se eu me expressei mal, mas quero uma consultoria. Para essa questão de auditoria tem a Câmara. Quanto a quem vai fazer, vamos buscar algumas perspectivas: há uma conversa com o Movimento Brasil Competitivo, que o (empresário) Jorge Gerdau preside, e vamos prescindir disso para equalizar as contas da Prefeitura.'' Indagado novamente sobre quem bancaria a consultoria, esquivou-se: ''Ainda não temos essa informação''.
Sobre as nomeações para o futuro secretariado, ainda indefinido, o pedetista admitiu que, à parte de critérios técnicos, terá de acomodar também forças políticas que o apoiaram. ''Sabemos que vamos enfrentar pressões dos grupos até que nos apoiaram e que obviamente querem participar do governo. Vamos encontrar uma forma de encaixá-los, ou a maioria deles, mas ao mesmo tempo temos que ter a disposição de 'cortar na própria carne' e enxugar a máquina.'' Se o PP de Antonio Belinati e Ricardo Barros já solicitou espaço no governo? ''Em nenhum momento foi tratado de pedido de cargos; acredito sinceramente que eles nos apoiaram com esse espírito público, ou por exclusão, até.''

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