Curitiba - Sete Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) rondam o plenário da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná desde ontem, quando começou a coleta de assinaturas para a investigação dos pedágios, prometida pelo deputado estadual Nelson Luersen (PDT) na semana passada. O líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), nega que seja uma estratégia para barrar a reedição da CPI dos Pedágios. Segundo as normas da AL, somente cinco CPIs podem funcionar ao mesmo tempo. Se uma sexta investigação for proposta, ela entra na ''fila de espera''.
Ontem a AL ressuscitou duas CPIs, a das falências e a das grandes dívidas. A primeira encontrava-se suspensa pela Justiça e, após análise do jurídico da Casa, deve ser arquivada. Já a CPI dos Grandes Devedores, proposta por Reni Pereira (PSB) faz mais de um ano, aguarda indicação de parlamentares para buscar as causas de o Paraná possuir dívida ativa superior a R$ 16 bilhões em impostos não pagos ao governo. Noticiada pela FOLHA semana passada, também depende dos partidos e blocos parlamentares a CPI das Pesquisas Eleitorais.
Outras três CPIs tiveram a coleta de assinaturas concluída ontem, sendo encaminhadas para análise do jurídico da Assembleia. Ao final da sessão ordinária, o presidente da AL, deputado Valdir Rossoni (PSDB), leu o pedido de instalação das CPIs da Telefonia e dos Planos de Saúde, causando surpresa na imprensa e parlamentares.
Por ordem de protocolo, essas cinco CPIs têm prioridade e impedem que outra investigação ocorra na Casa. Se a AL agilizar o arquivamento da CPI das Falências, a próxima da fila é a investigação sugerida pelo deputado estadual Fábio Camargo (PTB) sobre o uso de dinheiro público no estádio do Clube Atlético Paranaense e outras obras relacionadas com a Copa de 2014.
Após conversar com Traiano, Camargo promoveu seu pedido de comissão especial para CPI. O tema não agrada o Palácio Iguaçu, mas parece causar menos contrangimento que uma investigação dos pedágios. ''Queremos rever as licitações, os contratos, a prestação do serviços, a realização das obras, os aditivos e o preço da tarifa cobrada pelas concessionárias'', explicou Luersen.
''Já temos 16 assinaturas, faltam duas. Não temos nada a esconder do povo do Paraná e a CPI seria um ótimo instrumento para ver quem tem razão, se as concessionárias ou o povo'', cutuca Luersen. Em 2011, quando Cleiton Kielse (PEN) começou a coletar assinaturas para uma CPI dos Pedágios, o governo também apressou a realização de outras investigações para ''jogar para o fim da fila'' esse assunto.
''Eu já vi esse filme'', protestava ontem Kielse, após o anúncio das novas CPIs. ''Eles fazem o mesmo modus operandi a muito tempo e quem paga o pato é a população'', reclama Kielse. ''Não tem nada a ver. É um procedimento normal. Os deputados têm todo o direito'', desconversou Traiano.

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