Brasília - Antes de chegar até o Supremo Tribunal Federal (STF), o envolvimento de políticos no esquema de corrupção e cartel na Petrobras foi apontado pelos depoimentos do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, no processo de delação premiada junto à Justiça Federal do Paraná. Foram citados políticos do PT, PP, PMDB, PSB e PSDB. Os depoimentos de Costa foram colhidos pela Polícia Federal entre agosto e setembro do ano passado, e os de Youssef, entre outubro e novembro. A delação de Costa foi homologada pelo ministro Teori Zavascki, delator da Lava Jato no STF, em setembro de 2014, mas o ministro decidiu esperar o conteúdo dos depoimentos de Youssef, que só chegaram ao Tribunal em dezembro, para verificar se havia fatos semelhantes nos relatos de ambos e assim construir indícios mais consistentes sobre o envolvimento de cada um dos políticos.
O caso chegou ao Supremo porque os delatores relataram envolvimento de parlamentares e outras autoridades no esquema de corrupção. O STF é a instância em que membros do Congresso, ministros de Estado e membros dos tribunais superiores têm foro. No caso de governadores e membros de tribunais de contas estaduais, a competência é do Superior Tribunal de Justiça.
Para investigar alguém com foro especial é preciso da autorização dos tribunais competentes. Nos casos de autoridades citadas, portanto, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato na primeira instância, não poderia dar sequência às investigações.
O material foi encaminhado também a Rodrigo Janot, procurador-geral da República e responsável por pedir investigações de parlamentares e autoridades com foro perante o STF e o STJ. Janot solicitou a Zavascki, a partir daí, o desmembramento das delações.

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