Brasília - A articulação dos parlamentares na Câmara é mais complicada por conta do envolvimento dos líderes nas denúncias de corrupção. Mas a despeito de as bancadas estarem soltas, sem comando, uma dezena de parlamentares de PMDB, PPS, PV, PDT, PSDB e PT fez na semana passada a primeira reunião para discutir a situação.
O grupo de deputados reconhece que não tem força suficiente para sustentar uma ação política contra ou a favor do governo, mas reúne parlamentares influentes em seus partidos e a idéia é ir agregando mais gente. ''Nossa pretensão é chegarmos a algo entre 30 e 50 parlamentares, entre deputados e senadores que também já estão conversando. Aí sim, teremos capacidade maior de articulação'', aposta o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA).
Segundo o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que participa do grupo, o sentimento predominante é o de que a crise é muito grave e o presidente Lula está isolado. Embora alguns tucanos tenham comparado esta crise com a do governo Collor, vários deputados chamaram a atenção para as diferenças de temperamento e perfil entre Lula e Fernando Collor. Prevaleceu a avaliação de que, se Lula tiver de deixar a Presidência antes do fim de seu mandato, ele apelará para as ruas e criará um grande tumulto de consequências imprevisíveis, o que pode dividir o País. E isto é algo que ninguém quer. (V.R. e C.S.)

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