Envolvidos no escândalo defendem-se das acusações PS10> Agência Estado
SÃO PAULO - O coordenador da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo, Wagner Baptista Ramos, pediu ontem afastamento temporário do cargo, sem vencimentos. Funcionário de carreira da prefeitura, ele admitiu anteontem, em depoimento à CPI dos Títulos Públicos, que há 19 meses é contratado da corretora Perfil, uma das envolvidas na fraude dos títulos públicos.
O anúncio do afastamento de Ramos foi feito pelo prefeito Celso Pitta (PPB). A emissão de papéis pela prefeitura de São Paulo, quando Pitta era secretário de Finanças, também está sob investigação.
Pitta confirmou que o coordenador da Dívida Pública era responsável pela análise de todas as operações financeiras com títulos de São Paulo. Mesmo assim, garantiu que as negociações feitas pelo município nessa área foram absolutamente legais e lucrativas.
O governador Divaldo Suruagy (PMDB), responsabilizado pela CPI da Assembléia Legislativa de Alagoas pela fraude na emissão e venda de R$ 301,6 milhões em Letras Financeiras do Tesouro Estadual, elogiou a CPI do Senado que investiga o escândalos dos precatórios. Como declarei no início, considero o trabalho da CPI fundamental e decisivo para o completo esclarecimento de toda essa questão, enfatizou.
O governador explicou que quando recorri ao lançamento de títulos no mercado financeiro, o que aconteceu com a aprovação técnica do Banco Central e o aval político do Senado, eu o fiz com a convicção de que estava buscando saídas para a crise do meu Estado.
O governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), disse ontem que as empresas acusadas de operar irregularmente com títulos públicos não tiveram nenhuma relação com os Estados. O Governo de Pernambuco colocou no mercado R$ 480 milhões em títulos e obteve R$ 402 milhões. Desse total, cerca de R$ 45 milhões se destinaram a pagamento de precatórios. O restante foi colocado na conta única do Estado e utilizado para pagamento de outros débitos. A operação foi feita por meio do Banco Vetor (liquidado extra-judicialmente ontem), que recebeu uma comissão de R$ 22 milhões.
O governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), disse ontem que o governo não tem responsabilidade sobre a atuação do mercado financeiro nas operações de compra e venda de títulos públicos. Assumo a responsabilidade de todo o processo da operação até o momento em que os títulos foram lançados no mercado, disse o governador.
Segundo o secretário de governo Milton Martini, o governo de Santa Catarina não tem nenhuma relação com a IBF, a empresa cujo proprietário declarou à CPI ter agido como fachada na transação com títulos estaduais, inclusive de Santa Catarina.





