Nenhum dos principais envolvidos no grampo do caso Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), de setembro de 95, enfrenta hoje dificuldades financeiras, funcionais ou políticas pelo escândalo.
O ex-presidente do Incra Francisco Graziano, apontado como o ‘‘corvo’’ que arquitetou o grampo, volta a Brasília em 99 como deputado pelo PSDB de São Paulo, com 69.600 votos. Ele nega a acusação. Os três policiais federais - o delegado Mário José de Oliveira Santos e os agentes Cláudio Mendes e Paulo Chelotti -, acusados de executar o plano, foram punidos apenas com multa correspondente a dez dias de salário. Os dois primeiros ocupam cargos de confiança na Polícia Federal em Brasília. Júlio César Gomes dos Santos, embaixador em cujo telefone foi instalado o grampo pela PF, foi nomeado em 97 por FHC representante do país na FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), em Roma. Na época do grampo, Santos era chefe do Cerimonial do Palácio do Planalto e perdeu uma indicação para a embaixada do Brasil no México, que foi suspensa por FHC.
O grampo registrou pelo menos 13 conversas no telefone da casa do embaixador. O delegado conseguiu autorização judicial para instalar o grampo alegando perseguir um suposto ‘‘JC’’ traficante. Nas conversas grampeadas, Santos disse que falaria com senadores para atender apelo do empresário José Affonso Assumpção, dono da Líder Táxi Aéreo e representante no Brasil da Raytheon, empresa norte-americana contratada para implantar o Sivam. O empresário queria acelerar a aprovação no Senado do empréstimo de R$ 1,4 bilhão para a implantação do sistema.
Assumpção é hoje representante autônomo da Raytheon apenas para a venda de aviões. Deixou de atuar com relação ao Sivam. Na época do grampo, Santos foi afastado do Planalto. Além dele, caiu o então ministro da Aeronáutica, brigadeiro Mauro Gandra, citado no grampo como hóspede por três dias na casa do empresário da Líder, em Belo Horizonte.
Desde novembro de 97, preside o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias. Ele entrou para a reserva após o escândalo e depois recusou convite de FHC para ser observador militar na ONU. ‘‘O homem público é uma espécie de alvo móvel. A melhor coisa do mundo é o cara ser privatizado’’, disse.
O embaixador e o dono da Líder ainda enfrentam investigação conduzida pelo Ministério Público Federal. Este ano a Justiça Federal quebrou o sigilo bancário, fiscal e dos cartões de crédito do embaixador. Foi identificada incompatibilidade entre os salários do embaixador e sua movimentação bancária. O advogado de Santos disse que o caso está sob sigilo judicial.

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