Envolvidos no caso Sivam estão impunes
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domingo, 29 de novembro de 1998
Abnor Gondim Agência Folha 
Nenhum dos principais envolvidos no grampo do caso Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), de setembro de 95, enfrenta hoje dificuldades financeiras, funcionais ou políticas pelo escândalo.
O ex-presidente do Incra Francisco Graziano, apontado como o corvo que arquitetou o grampo, volta a Brasília em 99 como deputado pelo PSDB de São Paulo, com 69.600 votos. Ele nega a acusação. Os três policiais federais - o delegado Mário José de Oliveira Santos e os agentes Cláudio Mendes e Paulo Chelotti -, acusados de executar o plano, foram punidos apenas com multa correspondente a dez dias de salário. Os dois primeiros ocupam cargos de confiança na Polícia Federal em Brasília. Júlio César Gomes dos Santos, embaixador em cujo telefone foi instalado o grampo pela PF, foi nomeado em 97 por FHC representante do país na FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), em Roma. Na época do grampo, Santos era chefe do Cerimonial do Palácio do Planalto e perdeu uma indicação para a embaixada do Brasil no México, que foi suspensa por FHC.
O grampo registrou pelo menos 13 conversas no telefone da casa do embaixador. O delegado conseguiu autorização judicial para instalar o grampo alegando perseguir um suposto JC traficante. Nas conversas grampeadas, Santos disse que falaria com senadores para atender apelo do empresário José Affonso Assumpção, dono da Líder Táxi Aéreo e representante no Brasil da Raytheon, empresa norte-americana contratada para implantar o Sivam. O empresário queria acelerar a aprovação no Senado do empréstimo de R$ 1,4 bilhão para a implantação do sistema.
Assumpção é hoje representante autônomo da Raytheon apenas para a venda de aviões. Deixou de atuar com relação ao Sivam. Na época do grampo, Santos foi afastado do Planalto. Além dele, caiu o então ministro da Aeronáutica, brigadeiro Mauro Gandra, citado no grampo como hóspede por três dias na casa do empresário da Líder, em Belo Horizonte.
Desde novembro de 97, preside o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias. Ele entrou para a reserva após o escândalo e depois recusou convite de FHC para ser observador militar na ONU. O homem público é uma espécie de alvo móvel. A melhor coisa do mundo é o cara ser privatizado, disse.
O embaixador e o dono da Líder ainda enfrentam investigação conduzida pelo Ministério Público Federal. Este ano a Justiça Federal quebrou o sigilo bancário, fiscal e dos cartões de crédito do embaixador. Foi identificada incompatibilidade entre os salários do embaixador e sua movimentação bancária. O advogado de Santos disse que o caso está sob sigilo judicial.


