Curitiba - O juiz Gaspar Luiz de Mattos de Araújo Filho, da Vara Criminal de Campo Largo, informou ontem que irá interrogar no dia 19 de outubro as 20 pessoas denunciadas pelo Ministério Público (MP) do Paraná por participação num esquema de grampos telefônicos clandestinos. O juiz disse também que não irá disponibilizar o conteúdo da denúncia do MP porque decidiu que a partir de agora a denúncia correrá em segredo de justiça. Mais de 3 mil páginas foram entregues pelo MP sobre o esquema, que ficou conhecido como ''caso Rasera'', em referência ao suposto ''comandante'' do grupo, o policial civil Délcio Rasera.
O segredo de justiça, conforme justificativa do juiz, é com base num artigo da lei que preserva a prova colhida nos casos ligados a escutas clandestinas. O juiz, portanto, não quis dar detalhes sobre o conteúdo da denúncia e acrescentou que a previsão é concluir os trabalhos daqui cerca de 80 dias. ''Temos que ouvir os réus, as testemunhas. A justiça tem o estigma de 'lenta', mas é preciso ouvir todos'', comentou ele.
O MP recebeu anteontem um material, em CD e DVD, contendo conversas telefônicas entre autoridades do governo do Paraná. O material estava transcrito e foi recebido por jornalistas de Curitiba de maneira anônima. O teor das conversas não foi divulgado por se tratar de grampo ilegal - possivelmente feito por Rasera. Entre os grampeados estão o ex-presidente da Copel Paulo Pimentel e o ex-diretor da Companhia Estadual de Habitação (Cohapar) Luiz Cláudio Romanelli, além de secretários de Estado, como Heron Arzua (Fazenda), Renato Adur (Desenvolvimento Urbano) e Airton Pisseti (Comunicação).
O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, e o presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Stênio Jacob, também tiveram seus telefones grampeados. Nem mesmo deputados federais e estaduais ligados ao governo Roberto Requião (PMDB) foram poupados pelas escutas telefônicas ilegais. No material entregue ao MP tem conversas do deputado federal Max Rosemann (PMDB) e dos deputados federais Miltinho Puppio (PSDB), Antonio Anibelli (PMDB) e Mário Sérgio Bradock (PMDB). Rasera estava cedido ao Executivo desde o início da gestão Requião.
Nenhum dos grampeados sabia sobre as escutas telefônicas. Arzua diz que nenhum secretário de Estado deve ter nada a esconder. Romanelli foi procurado pela reportagem, mas no celular dele alguém informou que o ex-secretário não atenderia a imprensa. Jacob não quis falar sobre o tema, mas também informou que nada tem a esconder e que não teme o teor dos grampos. Entre as 20 pessoas denunciadas pelo MP, está João Formighieri, que atualmente está à frente da Imprensa Oficial, órgão vinculado ao governo do Estado.

mockup