Envolvidos nas denúncias evitam comentar a CPI
Curitiba - O advogado do tenente-coronel Valdir Copeti Neves, o criminalista Cláudio Dalledone Júnior, que também advoga para os ex-integrantes do Gerco e para o policial civil Ricardo Abilhôa, não acredita que o trabalho da CPI possa ser prejudicado por ter como informante o tenente-coronel Neves. ''Tudo o que vier contra ele (Neves) agora é suspeito. Estão tentando caluniar meu cliente de todas as formas. Neste momento estão ouvindo nossa conversa, inclusive'', respondeu ele. Dalledone prometeu apresentar documentos exclusivos para a Folha. Entretanto, não teve tempo para receber a reportagem no dia marcado.
O capitão Elias Ariel de Souza, ex-coordenador do Gerco, não quis dar entrevistas. Ele atendeu educadamente à reportagem da Folha e disse que quer ficar afastado das denúncias em Curitiba. Atualmente, Souza chefia um grupamento com seis cidades no interior do Paraná. ''Estou sossegado e prefiro ficar em silêncio'', confidenciou.
O secretário do Emprego, Trabalho e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann (PT), foi o único parlamentar paranaense da CPI do Narcotráfico. Ele também é apontado como inimigo de Neves, que o denuncia como sendo um dos líderes do movimento rural sem-terra e que desviaria dinheiro do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Padre Roque nega que tenha aceitado somente as denúncias feitas por Neves e garante que trabalhou paralelamente com as investigações feitas pelos delegados Adauto Abreu de Oliveira e Leila Bertolini, na época casados. Adauto dizia que não tinha conhecimento das denúncias contra o delegado-geral à época, mas foi um dos responsáveis por várias investigações contra policiais civis.
O ex-delegado geral da Polícia Civil, Ricardo Noronha, diz que não quer revanchismo e assiste tudo à distância. Apesar de sofrer processo administrativo, Noronha não chegou a ter qualquer tipo de acusação da CPI comprovada. Ele foi condenado por contrabando e descaminho, na Justiça Federal, por ter comprado uísque contrabandeado para uma festa da Polícia Civil em Foz do Iguaçu, num processo que não tinha qualquer ligação com a comissão parlamentar do narcotráfico. Atualmente, ele é presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) e faz oposição ao governo. (L.P.)





