Envolvidos com TRT se reecontram
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2001
Alexandre Rocha Agência Estado De São Paulo 
Os acusados do desvio de verbas do Fórum Trabalhista de São Paulo voltaram a se encontrar ontem na Justiça Federal, em São Paulo, no terceiro dia de depoimentos das testemunhas de defesa dos empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Teixeira Ferraz, respectivamente presidente e vice-presidente da Incal Incorporações, empresa responsável pela obra.
A grande expectativa estava em torno dos depoimentos de dois ex-presidentes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Rubens Tavares Aidar e Délvio Buffulin. Entretanto, o segundo não compareceu. Como na terça-feira, foi armado um forte esquema de segurança para a remoção do juiz Nicolau dos Santos Neto da Casa de Custódia da Polícia Federal para assistir à audiência.
A Polícia Federal utilizou novamente quatro carros para fazer a escolta do juiz e cerca de 50 agentes da PF mais 45 policiais militares participaram da operação. A surpresa foi o senador cassado, Luiz Estevão, que chegou às 10h30, três horas antes do horário marcado. Ele trouxe cerca de 15 seguranças particulares, que ficaram na entrada do Fórum. O ex-senador alegou que chegou cedo para estudar o processo.
O primeiro a depor foi Aidar, que presidiu o tribunal de 1994 a 1996. Ao sair do depoimento, ele afirmou que na sua gestão foram liberados cerca de 28% dos recursos da obra e, quando seu mandato terminou, cerca de 70% da obra estavam concluídos e os recursos liberados até então eram compatíveis com o que já estava pronto.
O segundo a depor foi Arnaldo Pandolfi, ex-gerente da Agência Central do Banco do Brasil em São Paulo, que tinha a conta da Incal e recebia recursos liberados. Pandolfi afirmou ao sair que circularam por essa conta cerca de R$ 160 milhões e, no período de 1992 a 1998, não suspeitou de qualquer irregularidade relativa à obra. Dentro daquilo que eu vi, não me parece que tenha havido desvio. O Ministério Público Federal suspeita que foram liberados cerca de R$ 120 milhões para a obra.
O depoimento da terceira testemunha, Martim Aparecido Pereira da Silva, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, terminou por volta das 18 horas. Logo após, o juiz Nicolau foi levado de volta à Casa de Custódia sob gritos de ladrão pelos curiosos que estavam no local.


