A ex-secretária do Trabalho, Emprego e Renda em Londrina Neiva de Cassia Vieira foi nomeada para a função de Gestora Municipal do Programa Projovem Trabalhador. A nomeação retroativa ao dia 6 de agosto, publicada ontem no Diário Oficial do Município, é assinada pelo prefeito Joaquim Ribeiro (PSC) e pelo atual secretário da pasta, Rodrigo Sotille. No entanto, não se trata de um prêmio à ex-secretária, que é servidora municipal.
Ao justificar a decisão de deixar com Neiva a responsabilidade sobre o programa, Sotille revelou à FOLHA novas suspeitas de irregularidades na secretaria ligadas ao Projovem. Segundo ele, ''quem tem que dar conta disso aí é só ela e ninguém mais porque não posso botar meu nome limpo onde eu acho que tem lama suja''.
Na semana passada, Sotille já havia levado ao Ministério Público (MP) do Paraná denúncia de suposto pagamento de propina pela empresa Brasilserv, de Campo Grande (MS), durante a gestão de Neiva. O contrato de R$ 25,5 mensais foi rompido na última sexta-feira. A empresa mantinha 14 funcionários para atendimento ao público com encaminhamentos para vagas de trabalho ou seguro-desemprego.
Segundo o secretário, ''o próximo foco problemático na Secretaria do Trabalho é o Projovem''. Mas, ele não deu detalhes do que estaria irregular, alegando que aguarda o recebimento de documentos da associação Aldeia Brasil, do Rio Grande do Sul, contratada para conduzir o programa que tem por objetivo qualificar e preparar jovens londrinenses para o mercado de trabalho. Sotille acusa a ex-secretária de sempre ter tratado com ''exclusividade'' das questões referentes ao Projovem, o que cercearia a fiscalização por parte de outros servidores.
Por se tratar de um programa tocado com verbas federais, o secretário informou que na semana que vem devem vir à Londrina ''técnicos de Brasília para auditar o que está certo e o que está errado no Projovem''. Conforme o secretário, ''quando ela deixou a secretaria, assinou documento renunciando aos projetos anteriores, por isso eu a estou nomeando retroativamente''.
Questionado se o município não poderia ser punido caso permaneçam as eventuais irregularidades, Sotille comentou que ''quem deverá ser cobrado é quem não prestou o serviço público a contento.'' A reportagem tentou falar com Neiva ontem, mas o celular estava desligado.

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