Envio de carta escatológica a deputados vira caso de polícia
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quarta-feira, 27 de abril de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - Deputados da base aliada ao governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná receberam ontem, via correio, uma carta de origem anônima, que simula um papel higiênico usado. O remetente faz uma analogia aos acontecimentos registrados no dia 29 de abril de 2015, quando a Polícia Militar (PM) reprimiu com violência um protesto de servidores públicos e membros de movimentos sociais contrários à reforma na Paranaprevidência. "Na ocasião da entrada às pressas pela lateral da Alep, soube-se que o senhor ou algum de seus (não tão digníssimos) coleguinhas precisou de papel para limpar a sujeira, mas não tinha. Que dó!", dizia um dos trechos. O envio gerou constrangimento e revolta entre parlamentares que participavam da sessão plenária.
Logo após a votação, o presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), comunicou aos jornalistas que encaminharia os bilhetes ao delegado-geral da Polícia Civil, Julio Cezar dos Reis, para que ele tome as devidas providências. "É uma afronta e vamos tentar buscar aqueles que patrocinaram essas cartas endereçadas aos senhores deputados", afirmou. "O conteúdo é pífio. É de uma pobreza de espírito. Com certeza, tem uma relação muito forte a acontecimentos de pessoas ligadas a movimentos que afrontam a democracia e não respeitam a principal casa de leis do Paraná. Entendo que é chegado o momento de dar um basta a esse tipo de comportamento. Essas pessoas têm que ser banidas da sociedade", prosseguiu.
Embora os autores não tenham sido identificados, alguns políticos disseram suspeitar da entidade representativa dos professores estaduais. "Desculpem as palavras, mas é literalmente um papel com uma freada, que mandam para nós, e isso tem nome e assinatura. Infelizmente, nos fazem acreditar que seja algo ligado à APP-Sindicato", opinou Pedro Lupion (DEM). Em entrevista por telefone, o presidente da APP, Hermes Leão, refutou a acusação. "Toda a crítica que a gente faz é muito transparente e direta. Arcamos com as consequências de cada ação. Não concordamos com essa linha de crítica que foi feita e não entendemos que seja a melhor metodologia. Estamos fazendo a memória de um ano do massacre de forma pública, num ato estadual em Curitiba, e repudiamos essa insinuação leviana."
Tanto o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), quanto o da oposição, Requião Filho (PMDB), reclamaram do envio anônimo. "É uma cartinha escatológica. Acho que mostra a degradação moral que esse País está atingindo, um nível de intolerância e de falta de respeito. É grave mesmo e penso eu que é um tema que tem de ser apurado pelos canais competentes", falou o pessebista. "No meu entender é um desaforo um pouco pesado demais. Discordei e discordo de uma forma muito dura desta decisão do governador e da sua base. Mas as cartas chegam perto da grosseria, passam a linha tênue de discordar de um político a agredir ele de forma grosseira mesmo ou desnecessária", completou Requião.


