Cidado do Vaticano O cardeal Roger Etchegaray, mediador do Papa na crise da basílica da Natividade, partiu ontem, para Jerusalém, com o objetivo de celebrar hoje uma missa de ‘‘expiação e reconciliação’’ em Belém.
A celebração será na igreja de Santa Catarina, anexa à basílica da Natividade, informou o porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro Valls.
O cardeal levará a bênção de João Paulo II aos fiéis católicos que celebrarão a libertação da basílica do cerco das tropas israelenses, em razão da presença, no complexo religioso, de dezenas de milicianos palestinos.
Etchegaray regressou a Roma na segunda-feira passada da ‘‘missão especial’’ na Terra Santa, à qual o papa o enviou com o objetivo de contribuir para a resolução da crise da basílica.
Limpeza Em algumas horas os padres limparam ontem a basílica da Natividade, tirando o lixo, colchões, móveis quebrados e outros restos acumulados pelos palestinos durante mais de cinco semanas de sítio no local.
As três confissões cristãs encarregadas de gestionar a basílica, os franciscanos, os greco-ortodoxos e os armênio-ortodoxos dividiram entre si a tarefa da limpeza desde as primeiras horas de ontem, vinte e quatro horas depois que o exército israelense levantou o sítio contra o templo.
O altar principal brilha em todo seu esplendor. A animação aumenta nas naves, onde os homens usando hábitos amontoam o lixo e carregam os colchões, cadeiras, mantas, recipientes, que provisoriaente são jogados para fora do edifício. Os ornamentos da gruta não parecem ter sofrido muito.
No meio da manhã, a maior parte do trabalho de limpeza parecia ter finalizado e foram amontoadas centenas de cadeiras trazidas para fora a basílica.
‘‘Os danos mais importantes não se registraram na basílica, e sim no convento greco-ortodoxo’’, que fica na parte detrás da igreja.
A porta traseira do convento foi destruída por um obus. No chão do claustro, podem ser vistas cápsulas de fuzil de assalto.
O segundo andar sofreu muitos danos. Um incêndio provocado, segundo o irmão Chariton, por disparos israelenses destruiu algumas celas, do lado da ala de recepção do superior do convento, cujas paredes estão enegrecidas pela fumaça. Os 123 palestinos entrincheirados no complexo religioso ‘‘sempre respeitaram as ordens dos religiosos’’, assegura.

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