FOLHA - Por que o senhor decidiu se candidatar ao governo do Paraná?

Ogier – Porque eu, como você e como todos os brasileiros, muito bem representados no ano passado por toda a nossa população, cansei da mesmice, da incompetência da gerência pública, da incapacidade do Estado de devolver ao cidadão, em forma de serviço qualificado, a cobrança extraordinária de impostos que existe em nosso País. Evidentemente a concentração maior no governo federal, mas a cobrança de impostos estaduais são elevados, os municipais idem. E a resposta do Estado gestor é sempre muito ruim. Eu quero ser a opção de mudança, porque sou um cidadão comum, como qualquer outro, pago impostos como todos os outros, tenho algumas qualidades e defeitos, como todos têm, e acredito no sistema democrático. Meus adversários são todos funcionários públicos, nunca exerceram uma função particular, sempre foram políticos de carreira, eu quero mostrar e oferecer ao cidadão alguém que não é político de carreira.

FOLHA - Alguns partidos menores lançam candidaturas com o objetivo de eleger deputados. Outros para marcar posições ideológicas. Quais as ambições do PRP nessas eleições?

Ogier – Eleger o governador do Estado, que sou eu. Eu sou candidato para ganhar. Se a eleição fosse hoje, eu não ganharia, mas a eleição não é hoje. A eleição é depois do horário eleitoral, depois dos debates, depois do momento que as coisas ficam mais iguais, que os partidos menores podem se equiparar aos maiores nas oportunidades. Os maiores só são maiores nos compromissos, no tempo e no dinheiro que gastam. Eu tenho a oferecer ao cidadão um partido menor. É menor sim, menor em tempo e em acertos. Eu não tenho acerto com ninguém. Os outros são candidatos de grandes conglomerados políticos. A pergunta que eu faço é: como você junta siglas que são diametralmente opostas em ideologia sob o mesmo guarda-chuva e pretende depois oferecer um modelo de administração pública? O meu compromisso é só com o eleitor e com o povo do Paraná.

FOLHA - Essa definição de "nanico" o incomoda?

Ogier – Não me incomoda, aliás, não me incomoda a definição de nanico, nem essa outra que lançam contra mim, de que eu estaria fazendo uma candidatura "laranja", nada disso me incomoda, porque o homem é do tamanho dos sonhos que ele tem e os meus são grandes. Quando dizem que eu estaria fazendo uma candidatura auxiliar e tal, a minha resposta é sempre a mesma: me observe publicamente, me observe nas pesquisas, nas respostas, e aí decida.

FOLHA - O senhor não é o "laranja" do Beto Richa (PSDB)?

Ogier – Eu prefiro que você faça essa pergunta, eu gosto dessa pergunta. A questão é: como eu posso ser laranja de quem quer que seja se eu sou o homem de imprensa, originalmente, que mais critica o pedágio na história do pedágio no Paraná? Como eu posso ser laranja de qualquer candidatura, se eu digo a quem quiser me ouvir que me causa irritação profunda a forma como os governadores que me antecederam trataram do pedágio? Como eu posso ser candidatura auxiliar de quem quer que seja se uma das minhas premissas básicas é: vou mudar a relação do pedágio com o governo do Paraná? Agora, se você me perguntar se eu encontro boas coisas no governo Beto Richa, eu encontro boas coisas no governo Beto Richa, eu encontro boas coisas no governo do Roberto Requião, eu encontro boas coisas no governo do senhor Jaime Lerner, só para falar dos três últimos. Seria um absurdo imaginar que um Estado que é a quinta arrecadação do País não tenha nada de bom dos ex-governadores. Mas a mim não me constrange absolutamente elogiar o Requião, quando eu tenho motivo para elogiar, ou elogiar o Beto Richa ou quem quer que seja. Eu não sou lacaio de ninguém, de nada, senão dos meus sonhos. Jamais seria. Eu nunca fui subserviente a dono de empresa, e eu tenho opinião pública ao longo do tempo. Já fui punido várias vezes por ter opinião pública. Então essa ilação é feita por quem não me conhece ou é serventuário de partido. E os serventuários de partido não me incomodam também, porque eles não têm sonhos. Eu tenho sonhos e tenho aspirações. E meus sonhos e minhas aspirações são superiores aos sonhos e aspirações dos profissionais de política. Os outros a que me referi são profissionais de política: Roberto Requião, Beto Richa, Gleisi Hoffmann. Nenhum deles trabalhou na vida privada, nenhum deles gerou imposto, gerou emprego, gerou riqueza.

ENTREVISTA - 'Eu não sou candidatura auxiliar de ninguém'
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FOLHA - O senhor fala que não é laranja, nem sustenta uma candidatura auxiliar. Mas em vários trechos da prévia do seu plano de governo, protocolada junto ao TRE, repete o discurso do atual governador, como quando fala da demora pela aprovação das operações de crédito pleiteadas junto à União e quando sugere viabilizar planos de investimento em parceria com a iniciativa privada, "reforçando o ambiente de segurança jurídica e de respeito aos contratos". Por que esse discurso tão próximo ao Beto?

Ogier – Eu não tenho um discurso próximo. Eu tenho um discurso daquilo que eu acredito. No que eu acredito? Sou advogado por profissão. Acredito na segurança jurídica, é um fundamento das relações institucionais. O que mais que você diz que é similar?

FOLHA – Estão aqui alguns trechos: "preservar e ampliar os bons programas de saúde implantados no atual governo", caso do Mãe Paranaense, que "o PIB do Paraná tem crescido o dobro em relação ao Brasil"...


Ogier – Eu vou preservar e ampliar sim os bons programas do Estado, sejam eles do Beto, do Requião ou do Jaime Lerner. Por exemplo: o Jaime Lerner implantou no Paraná o Anel de Integração. Um dos meus planos é completar o Anel de Integração. Então o que é similar do meu plano de governo eu faço um elogio do Mãe Curitibana. Você é mãe?

FOLHA – Não.

Ogier – Quando você for mãe, vai descobrir o que eu descobri como avô. A minha filha teve uma neta e uma semana depois o programa da Mãe Curitibana tinha feito todo um rastreamento feito em relação à minha neta e etc. Muito embora a minha filha não precisasse do serviço público para isso. Isso são bons trabalhos que um governante tem a obrigação de continuar. Agora, eu não tenho a preocupação de elogiar tanto o Beto Richa quanto o Roberto Requião e até mesmo o governo federal quando eu entender que é justo.

FOLHA – Mas no seu plano não há elogios ao governo federal. Só críticas. E quanto ao governo estadual, até quando o senhor fala em completar o trabalho de expansão da oferta de vagas no sistema prisional, de modo a zerar o deficit, diz que o problema é uma herança dos governos passados...


Ogier – É herança dos governos passados sim. E quando eu assumir, o governo passado será o governo Beto Richa. Então, é uma questão de boa vontade para interpretar o que eu estou dizendo. Quando eu digo que eu vou transformar todos os dados dos governos anteriores em acessíveis ao povo, eu estou dizendo que aqueles que vou herdar de Beto Richa também vou transformar em acessíveis, agora, quando você lê que eu critico a discriminação do governo federal, eu critico e critico veementemente. O meu Estado manda ao governo federal R$ 100 e o governo federal devolve ao meu Estado em tese R$ 4, e não devolve ainda. Então, eu critico sim, mas não é porque no governo federal existe uma adversária que é minha adversária agora.

FOLHA – O governo estadual poderia estar mais presente em Brasília, tentar intermediar a situação?

Ogier – Você usou o termo poderia. Ele deveria. É um dever do chefe de Estado exigir um tratamento compatível, que é uma questão de exercício da prerrogativa que a federação nos dá. Nós vivemos num País que é uma federação. Nos projetos federais, se você fizer comparação do que o governo federal manda para o Rio Grande do Sul com o que manda para o Paraná, você vai ver que há uma diferença absurda. A autofagia do paranaense é que faz com que o paranaense interprete as minhas colocações como elogios ao Beto. O paranaense deveria interpretar as minhas colocações não como um saponismo a quem está no governo, mas como uma postura altaneira de um paranaense que quer exigir ao governo federal um tratamento diferente do que o governo federal nos dá. O PT tem que fazer a sua lição de casa, tem que limpar a sua sala de jantar, tem que levantar os seus tapetes e parar de querer dizer que é coitado. Não é coitado coisíssima nenhuma. E é essa a posição que tenho em relação à eleição aqui: não sou candidatura auxiliar de ninguém, nem muito menos só faço elogios ao Beto. Basta estudar meu plano de governo sem orientação ideológica. Dez dos meus primeiros passos falam sobre reforma administrativa. O 11º fala sobre nepotismo. Se eu não estou criticando o governador, estou criticando quem, então?

FOLHA – O senhor tem dois de seus filhos nomeados em cargos de confiança na administração Beto Richa (PSDB). Arthur Felipe de Leão Buchi presta serviço na Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Maria Eduarda de Leão Buchi Giglio é comissionada da Secretaria de Estado da Comunicação Social (ambos acompanharam a entrevista). Como o senhor explica essa questão?


Ogier – Respondo como estou respondendo essa entrevista para você: com o prazer de falar e dizer a verdade. Essa é a diferença entre mim e os milionários - as três candidaturas de mais de R$ 30 milhões, que são respectivamente do senhor Beto Richa, da dona Gleisi e do senhor Roberto Requião, milionário da Carta de Puebla. O meu filho trabalha no governo há 12 longos anos. Meu filho é formado em Administração de Empresas, em Direito, pós-graduado em Administração Pública. Trabalha no governo por opção e já serviu a três governadores diferentes, inclusive ao meu adverso pessoal Roberto Requião. Minha filha, como você, é jornalista, pós-graduada no Canadá, voltou do Canadá alguns meses no governo enquanto montava a sua assessoria e está fora do governo há nove meses. Quem levantou essa acusação não teve a decência e a dignidade de esclarecer que ela está fora do governo há nove meses. Mas ainda que estivesse no governo, isso de forma nenhuma modificaria a minha postura. Eu sou o candidato que levanta... Das 44 propostas, as 11 primeiras são críticas ao atual governo.

FOLHA – O senhor não vê nenhuma ligação, nenhum problema em seus filhos terem cargos comissionados no governo, mesmo aí considerando que a sua filha não está mais?


Ogier – Meu filho não tem cargo comissionado. Meu filho é celetista do governo há 12 anos. Foi contratado no primeiro governo de Roberto Requião. E como no meu ideário está escrito que eu de forma nenhuma compactuarei com o nepotismo, quando eu assumir o governo, e eu vou assumir, o meu filho imediatamente pedirá demissão e vai cuidar do meu escritório, porque ele é um advogado muito competente e tem condições de tocar as minhas causas.

FOLHA - Em seu plano de governo protocolado junto ao TRE, o senhor sugere a redução de secretarias e órgãos da máquina administrativa, além da diminuição dos cargos de confiança de livre provimento, mas não fala em números. A máquina está inchada? Quantas secretarias seriam efetivamente fechadas em uma eventual administração sua?


Ogier – A máquina começou a ficar inchada em 2002. Ela começa a inchar efetivamente no primeiro governo de Roberto Requião. Ela está muito inchada e ineficiente. As duas cosias. Eu no meu governo vou fazer uma economia, a minha meta fiscal é economizar 10% do orçamento. Nós temos um orçamento de perto de R$ 40 bilhões. Eu digo perto porque o orçamento tem variáveis. As variáveis estão no recolhimento de impostos. Como o governo federal é ineficaz e ineficiente e nos carregou para uma resposta econômica pífia – é o resultado deste governo de Dilma Rousseff – nós podemos ter situações de dificuldade de arrecadação no ano que vem. Mas vamos partir da premissa de que vamos arrecadar algo em torno de R$ 39 bilhões e 900 milhões. Nos últimos anos, nos governos Requião e Beto Richa, o Estado nunca conseguiu poupar e investir 5% do orçamento. A minha relação de custeio com o orçamento será uma economia de 10%. Se eu economizar 10%, eu vou economizar cerca de R$ 3,9 bilhões. Isso seria utilizado para investimento do Estado propriamente e para relações de parcerias público-privadas. Nos últimos 12 anos – oito de Roberto e quatro de Beto – o Paraná nunca investiu mais de 5%. No meu governo vai investir 10%, que não é o ideal, mas eu vou economizar ainda. No fato do investimento, o que eu pretendo fazer? Insisto – parceria público-privada, também em ações diretas do governo e sobretudo desinchar a máquina, eliminando muito as funções comissionadas, qualificando cada vez mais os funcionários estatutários e fazendo com que o Estado seja continuamente avaliado. Para acabar com essa história de que o Estado não tem cobrança. Comigo não vai ter esse tipo de coisa. O servidor será prestigiado, o servidor será qualificado e será pago em dia. Mas eu vou fazer no Paraná o que a gente faz na nossa casa: só vou gastar dinheiro se o dinheiro estiver em caixa. E assumirei com o Paraná o compromisso de não ser candidato à reeleição. No dia em que eu prestar o juramento como governador, e eu vou ser governador, vou afirmar em jurando que não sou candidato à reeleição. É preciso ter condição de mandar governador, presidente, deputado, toda essa malta política de volta para casa. Política não pode ser finalidade. Os políticos que existem hoje, vou dizer para você, se o Beto Richa, assumiu a prefeitura pensando em ser governador, assumiu o governo pensando em se reeleger; Gleisi Hoffmann, ela vem pulando de cargo em cargo repetitivamente. Assumiu o Senado da República e imediatamente deixou a responsabilidade do Senado para um homem que anteriormente tinha tido mil votos. Então político tem que ter a responsabilidade de, se eleito, assumir o cargo e cumprir o seu mandato. E depois de cumprir esse mandato, se desejar continuar a vida pública, numa outra função, etc, ou voltar para a sua casa. Eu tenho 62, se for eleito governador vou ter 63. Com 67, um homem já está destinado a ir para revisão de leis. Um homem de mais de 70 anos tem de ser um senador, se for, ou tem de gozar da sua merecida aposentadoria. Para isso que os ex-governadores têm aposentadorias.

FOLHA – O senhor é a favor dessas aposentadorias?


Ogier – Sou frontalmente contra. Acho um absurdo que um sujeito dedique quatro ou cinco ou seis e às vezes alguns meses da sua vida a alguma função e receba uma aposentadoria plena do cargo de governo. O Paraná já se manifestou sobre isso em 1990. Naquela feita Roberto Requião dizia a quem quisesse ouvir que era um absurdo que o senhor José Richa fosse aposentado. Pois hoje o senhor Roberto Requião é aposentado governador, recebe os proventos de senador e recebe diária para fazer seus périplos internacionais. Sou frontalmente contra.

FOLHA – O senhor falou em investimentos e cortar cargos, secretarias. Hoje são 27 secretarias, embora o governador atual fale em 19, pois desconsidera aquelas que são menores. Quais pastas efetivamente poderiam ser cortadas? O que está sobrando na máquina?



Ogier – Está sobrando toda a secretaria que não tenha uma característica de finalidade constitucional. Respondam para mim por que eu preciso ter um secretário de cerimonial, por exemplo? Por que eu não posso juntar cultura e esportes? Agora, eu não posso juntar educação, segurança pública e saúde. Isso não. As joias da minha coroa serão segurança, educação, saúde e a secretaria da fazenda, evidentemente, porque essa tem um objetivo primordial. Agora, queria dizer para você, o esporte vai merecer na minha administração um carinho especial, porque o esporte eu vou utilizar na linha profilática, na linha da saúde, na linha de tirar o jovem do risco da droga. Eu acredito que a maior solução para a droga, a drogadição, é o esporte. O jovem que está no esporte dificilmente se envolve em situações que não sejam de saúde. Curitiba, por exemplo, não tem um ginásio de esportes. O Paraná gastou uma fábula de dinheiro para fomentar um estádio de futebol, uma instituição privada, num time de futebol, não importa qual time de futebol. E nós não temos um ginásio de esportes em Curitiba. Eu não posso, não devo e não vou extinguir a secretaria de turismo? Por quê? Porque a secretaria do turismo é uma indutora, uma fomentadora de renda. O turismo é uma fonte de renda para países desenvolvidos, como a França, o turismo é a maior fonte de renda da França. No Paraná nós não temos um programa turístico na nossa baia. Temos aquela famosa operação verão, que é uma farsa, é um engano, é uma maquiagem do litoral.

FOLHA - O senhor chegou a fazer um estudo, com números do que poderia ser cortado?


Ogier – Veja, eu estou com um grupo orçamentário levantando o que pode ser cortado, quais são os cursos, quais são os envolvimentos e responsabilidades. Quando eu digo que vou economizar 10% do orçamento, eu tenho que ter responsabilidade de saber aonde eu vou cortar, aonde eu vou diminuir etc, porque eu posso gerar despesa. Então esse estudo, esse cálculo estará pronto no momento em que eu estiver eleito. Eu estou propondo ao Paraná que eu farei assim. Se o Paraná quiser que eu faça assim, eu vou fazer duas coisas: no dia em que eu assumir eu estarei pronto para implantar as modificações e também para pagar os débitos. Outra promessa que eu faço ao Paraná é que, uma vez eleito, eu não vou fazer moratória. Por quê? Por uma razão muito simples: eu tenho 90 dias de transição, as equipes ficam juntas durante 90 dias. Eu não preciso fazer nenhuma moratória. No dia em que eu assumir, eu vou fazer aquilo que eu prometi no meu plano, que é dar transparência aos governos que me antecederam. Então mais uma vez eu reforço o argumento: como é que eu posso ser linha auxiliar de quem quer que seja se aquele que me antecede é exatamente o que eu vou deixar mais transparente? Coisa que nenhum deles fez, nenhum deles faz. Porque todos dizem "eu vou fazer". Esse Roberto Requião, esse falastrão, diz toda hora "eu vou por na cadeia, vou fazer". Não vai fazer nada. Falastrão. Esse tipo de político tem de ser banido. Chega disso. Vamos exigir da vida pública que os políticos falem a verdade, elogiem sim quando for justo, continuem sim com os projetos de governo quando forem adequados e deem a destinação do dinheiro público o que é para o dinheiro público.

FOLHA - O senhor pediu a impugnação da candidatura da senadora Gleisi Hoffmann (PT), que foi rejeitado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O que o motivou a fazer esse pedido?


Ogier – Primeiro, vou dar uma resposta jurídica. A impugnação não foi aceita pelo Tribunal Regional Eleitoral, vírgula. Porque o recurso especial está em trâmite. Então, quando advogados da campanha da senhora senadora dizem que esse assunto está resolvido, não está. Esse assunto está tramitando na Corte Superior. É para isso que no Brasil tem três graus de jurisdição. No caso a impugnação tem dois graus porque entra direto no tribunal. Porque no meu entendimento existe uma falha cometida pelo partido que se coligou com a senhora Gleisi Hoffmann. Essa é a minha leitura. Eu milito na advocacia e entendo que buscar a manifestação no Judiciário, em especial na esfera do Direito Eleitoral, é uma obrigação de cidadão, porque no Direito Eleitoral não existe manifestação de ofício. E estranho muito que as pessoas que se dizem operadoras do Direito busquem calar alguém que busca no tribunal uma manifestação. Respeito a decisão do Tribunal Regional Eleitoral, não emiti juízo de valor, não me cabe, mas recorri. E espero a decisão soberana. Eu compreendo que quem transformou isso em fato político responda politicamente. Não fui eu. Pedi sigilo e mantive sigilo. Desafio quem quer que seja que tenha tido uma notícia do andamento processual de mim. As pessoas que me acusam em ter transformado isso em fato político provavelmente estão fazendo cortina de fumaça para esconder coisas que não sei quais são.

FOLHA - Essa justificativa que veio à tona era em relação à escolha do vice na chapa da senadora Gleisi. No entanto, o senhor alterou o seu vice na chapa, também após o prazo. Não seria o caso então de se tornar impedido e desistir da candidatura?

Ogier – Eu não tenho culpa que as pessoas não têm informação jurídica. Eu não impugnei a candidatura da senhora Gleisi Hoffmann. Eu impugnei a coligação. Em segundo lugar, eu e meu partido demos o exemplo. Quando verificamos os documentos do nosso vice, chegamos à conclusão de que havia uma dificuldade documental. E ao invés de gastar o tempo do Judiciário e da população, nós fizemos a substituição. Então, ao contrário, mais uma vez a questão da absoluta má vontade de analisar aquelas coisas que nós estamos fazendo, com a transparência que nós estamos fazendo. O nosso vice renunciou porque entendeu que a sua qualificação perante o tribunal teria problemas. Ao invés de sair chorando, contando histórias e enganando a imprensa, que não é obrigada a entender de Direito, nós fizemos o dever de casa e nós substituímos o nosso vice. Aliás, o próprio vice, ao analisar seus documentos, é um vereador experiente, foi presidente da Câmara da Ponta Grossa, um homem de bem, disse "opa lá, eu tenho problemas". É essa a diferença.

FOLHA - O senhor pediu ou pretende pedir demissão da Rede Massa?


Ogier - Não pedi, não pretendo, sou amigo da casa, gosto da família Massa, sou grato ao espaço que eu tive. Deixei a Rede Massa porque a legislação exige que eu deixe o espaço eleitoral e vou pedir demissão da Rede Massa no dia 29 de dezembro, porque eu vou assumir o Palácio Iguaçu no dia 1º de janeiro.

FOLHA - Algo que se discute muito, tanto no Congresso com aqui, é a governabilidade. Um partido isolado, sem coligação, conseguiria implementar suas propostas?


Ogier – Vou te dizer como: com transparência e verdade. O governador do Estado é um empregado público, queiram ou não. Os deputados são empregados públicos, assim como secretários, ministros e tudo o mais. Hoje, a estrutura legal, a transparência, as redes sociais dão meios de eu me comunicar com uma jornalista séria como a senhora e lhe dizer "olha, eu estou mandando para a Assembleia um projeto de lei número tal". Esse projeto implica em oferecer remédio de primeira necessidade para a farmácia popular. Não só para a imprensa, mas para todo o cidadão do Paraná. Eu vou transformar isso em manifestação de ato de governo, com publicidade, o que aliás está no artigo 37 da Constituição, né? É obrigação do governo, obrigação administrativa, dar publicidade, transparência aos seus atos. É constitucional isso. Eu vou fazer isso. E aí eu quero ver qual o deputado que não vai votar com o governo. Agora, para fazer isso, o governador tem que aprender a ser austero, viver sem acordos, conchavos ou negociações políticas. Eu tenho um exemplo no Paraná, que se chama Bento Munhoz da Rocha Neto, um estadista deste Estado. Vou procurar governar inspirado neste homem.