FOLHA - O senhor é o candidato mais novo e nunca teve um mandato eletivo. Por que se candidatar logo ao governo do Paraná?

Pilotto – O PSOL sempre tem candidatos próprios. O nosso partido tenta construir uma alternativa de esquerda ao que foi o PT e entende que é preciso lançar candidatos em todas as eleições. São poucos os partidos dentro do espectro político que possibilitam uma coligação e, então, a gente sempre tem uma tendência de lançar candidatos próprios. Dentro dessa ideia, o partido escolheu meu nome por basicamente dois motivos. Por eu ser da área da saúde, estar estudando isso e essa ser uma das áreas mais sensíveis. Quando você dialoga com a população ou qualquer pesquisa – Ibope, Datafolha, enfim – vai dizer que a saúde é a maior demanda, maior necessidade da população. E também por a gente achar que é preciso ter alguém antenado com os movimentos, as pessoas que foram às ruas no ano passado. Eu participei de alguma maneira. Ninguém foi líder daquele movimento, mas eu tive alguma participação, até em reuniões com a prefeitura, num determinado momento em que aconteceu a negociação sobre a redução da tarifa.


FOLHA - Uma das análises feitas em relação às manifestações populares do ano passado discorria sobre a crise de representatividade. O político está distante da população?

Pilotto - Certamente. As pessoas não se enxergam como parte da política, a maioria das pessoas, e por isso elas rejeitaram os partidos durante as passeatas. As críticas que as pessoas fazem aos partidos nós também fazemos. E o que entendemos também é que, pelo fato de o PSOL não ter parlamentares no Paraná e poucas pessoas saberem disso, muitas pessoas achavam que o PSOL está dentro do jogo político sujo do Estado e por isso não entenderam a nossa diferença. Já em outros Estados, onde o pessoal tem parlamentares – em São Paulo, por exemplo, o único vereador que foi à Câmara fazer um discurso a favor das primeiras manifestações foi um vereador do PSOL -, as pessoas nos reconheceram enquanto um partido que tinha uma legitimidade para estar presente.


FOLHA - Algo que se discute muito, tanto no Congresso como aqui, no Paraná, é a governabilidade. Como o PSOL, que chega ao pleito sem coligação, "isolado", conseguiria implementar suas propostas?

Pilotto – É um desafio, um rompimento com a lógica política majoritária que a gente tem hoje. Qual que é a lógica hoje? Você entra no governo e você suga todos os parlamentares, todos os vereadores e todos os deputados que foram eleitos, para a sua base de sustentação. Isso está muito ligado à distribuição de cargos e também à questão das emendas orçamentárias, da liberação dessas emendas, que é onde os parlamentares vão depois conquistar votos a partir de um clientelismo e a partir de uma ideia de que eles que construíram aquele posto de saúde, e não que aquele posto de saúde é um direito, foi construído com verbas públicas. A gente vai precisar romper com isso, porque, pela estrutura que o partido tem hoje e pela inserção que ele tem, caso a gente eleja um governador, a gente não vai eleger a maioria parlamentar. A gente tem claro isso. Isso aconteceu, por exemplo, na cidade onde o PSOL tem prefeito, que é Itaocara. Dos 12 vereadores, o PSOL elegeu 1. Como que a gente está fazendo em Itaocara? Claro que vale um parênteses, porque Itaocara é uma cidade muito pequena, do interior do Rio de Janeiro, e é diferente de um Estado grande como é o Paraná. Mas em Itaocara a gente tem procurado apresentar os projetos que a gente entende que são de interesse da maioria da população. E mesmo quando os vereadores, a bancada de oposição, que lá é majoritária, faz um lobby para não aprovar aqueles projetos, a gente faz assembleias com a população, explica o que está acontecendo, a população comparece à Câmara e pressiona os vereadores a votarem a favor dos seus interesses.


FOLHA – O senhor fala desse sentimento de mudança, perceptível em alguns Estados pelas pesquisas de intenção de voto, e no Paraná nós temos um governador filho de ex-governador, candidato à reeleição, um político que tenta chegar ao quarto mandato e uma candidata do PT, ex-ministra da Casa Civil, como favoritos. Por quê?

Pilotto – O Paraná tem uma história de oligarquias muito fortes na política. Essas oligarquias têm se rejuvenescido e se atualizado, na tentativa de elas próprias representarem esse sentimento de mudança. Uma parcela da população acreditou nisso. É incrível que o Beto Richa, do PSDB, que já tenha sido governo no Brasil por oito anos, tenha sido a mudança que as pessoas apostaram após o governo Requião. Isso é fruto de uma estratégia de marketing, de um potencial até de financiamento de campanha, presença de campanha na rua. No Paraná, essas oligarquias políticas mudam um pouco esse discurso e se adaptam a algumas demandas reais da população, para conseguir se eternizar no poder. Eu diria que é uma oligarquia moderna.


FOLHA - Isso também explica o fato de o PSOL, que tem uma bancada federal reconhecida, apesar de pequena, não ter um parlamentar no Paraná?

Pilotto - O que explica isso, além de um aspecto conservador geral do Estado, é o fato de que aqui nenhuma grande figura política com alguma história veio fundar o PSOL. Agora, por que a gente nasceu do zero aqui? A gente acredita que é também porque o próprio PT, que é a referência anterior de esquerda no Estado, nunca se colocou enquanto uma esquerda autêntica aqui. Ele sempre se aliou a um setor da oligarquia, que é o setor requianista, hoje se alia até a mais setores, como a família Dias, uma parte pelo menos. Se em outros Estados a gente fala em resgatar essa ideia de esquerda autêntica, no Paraná o desafio é muito maior.


FOLHA - Jaime Lerner, Roberto Requião e Beto Richa são ex-prefeitos de Curitiba. Isso significa que, há 20 anos, o governo do Estado é comandado por um ex-prefeito da capital. Em função disso, há um eleitorado que acredita que as atenções e os investimentos do governo do Estado se concentram na cidade. O PSOL planeja ações específicas para o interior?

Pilotto – Historicamente, desde que o Paraná foi fundado, as elites curitibanas tentaram criar uma identidade para esse Estado. Isso no plano cultural se explicita bem no pinheirismo, na ideia de que o pinheiro era o símbolo do Paraná. E se a gente for até Londrina, Maringá e Paranavaí, ou a tantas cidades do interior do Estado, não há pinheiro nenhum, mostrando que essa é uma identidade falsa do Estado. As identidades culturais do interior do Estado se configuraram muito mais nas influências de imigração: paulista no Norte e gaúcha no oeste. Tanto que se for para lá a turma torce para o Grêmio e para o Inter e no Norte para o Palmeiras e o Corinthians. Bom, mas essa falsa identidade paranaense construída a partir de Curitiba também se reflete na questão econômica. A gente tem historicamente um Estado que concentrou as riquezas produzidas pelo interior na capital e que, quando distribuiu essa riqueza no interior, distribuiu para as elites sócias desse projeto: as elites londrinenses, maringaenses, cascavelenses e assim por diante. Nós queremos levar uma distribuição maior de riqueza para o interior do Estado, mas para o conjunto da população, e não apenas para a elite política dominante de Londrina e das outras cidades. A gente acredita que para isso há alguns eixos fundamentais: um desses eixos é a reforma agrária, um processo de melhor distribuição populacional no Estado. As cidades com assentamento no entorno têm o fortalecimento do comércio local. Outra questão que a gente está apresentando é a necessidade de ter um novo modelo de transporte no interior. Eu sou um candidato que tenho viajado bastante de ônibus, fazendo campanha, e a gente verifica às vezes que é mais difícil ir de Jacarezinho a Londrina do que ir de Jacarezinho a Curitiba ou de Londrina até Curitiba. A capital suga as linhas de ônibus. Há muitas linhas do interior para a capital, mas não entre as cidades do interior. A gente acredita que o Estado tem de tomar o controle e é preciso existir uma empresa estatal, pública, de transporte. A gente acha que isso é uma aposta no desenvolvimento local.


FOLHA – Como fazer um governo socialista num Estado que privatizou seu banco, concedeu à iniciativa privada parte de suas principais estatais e abre mão de milhões para atrair grandes empresas multinacionais?

Pilotto – Se o PSOL ganhar as eleições em 2014, não vai fazer exatamente um governo socialista em 2015. Um governo socialista requer muito mais elementos para isso. A gente acredita em um governo que remonte a estrutura pública e que adote medidas que potencializem a distribuição de riquezas, também o incentivo à participação popular. Seria um governo que, por exemplo, instituiria uma empresa pública de transportes e faria uma auditoria nos contratos de pedágio, para verificar quais estão irregulares. A gente acredita que há muitas cláusulas não cumpridas, o que permite você anular um contrato. Um governo do PSOL seria um governo de recomposição dessa máquina pública que foi destruída. Apesar de ela ter sido destruída, não foi tão destruída quanto em outros Estados. No Rio você tem a "Copel" de lá totalmente privatizada, a Sanepar de lá também, e não parcialmente como foi aqui. Há situações piores.


FOLHA – No seu plano de governo, há a proposta de criação também de uma empresa pública de produção de medicamentos, para investir em pesquisa e novos tratamentos. Como essa empresa funcionaria?

Pilotto – O SUS estabeleceu muito bem certinho o que é tarefa dos governos municipal, estadual e federal. Ao governo municipal remetem muitas medidas preventivas: postos de saúde, atenção básica, saúde da família; e ao governo federal uma espécie de financiamento dessas ações: estrutura de alto valor agregado e muita complexidade, que são os hospitais universitários. O que compete ao governo estadual? A gestão disso, da atenção secundária – o Estado sabe quantos leitos de UTI existem em cada cidade – e o fornecimento de medicamentos. E isso é um dos elementos de maior gasto, se vocês forem olhar o orçamento da saúde. Porque no Brasil você tem na Constituição a garantia de integralidade no acesso à saúde. E vários juízes interpretam, corretamente, que a integralidade inclui a assistência farmacêutica. Se você entrar com uma ação reivindicando, por exemplo, um óculos para o SUS, você vai conseguir, porque faz parte do seu tratamento para a miopia. Hoje o Estado gasta muito dinheiro comprando remédio da iniciativa privada, muitas vezes de laboratórios que são os únicos que produzem aquele medicamento, cobram muitas vezes R$ 10 mil por aquele medicamento e a gente não tem nem como saber se é caro ou barato, porque a gente não tem como produzir. Para inverter essa lógica, apostamos na criação de uma empresa pública de medicamentos, que poderia trabalhar com as universidades estaduais – o Paraná tem sete, várias têm cursos de Farmácia e Química - e não é algo que não exista no Brasil. São Paulo tem, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro também. Seria trazer para o Paraná o que já existe em outros Estados no que diz respeito à produção de medicamentos, para que a longo prazo o Estado economize dinheiro com a compra de medicamentos da esfera privada, que a gente sabe que é um ralo de dinheiro público interminável, porque eles controlam as patentes e acabam botando o preço que querem.


FOLHA - Da mesma forma, o PSOL propõe criar um órgão com a função de executar programas de regularização fundiária. Como ele funcionaria?

Pilotto – É uma demanda muito urgente. Se a gente for olhar na história do Paraná, verá que em várias épocas houve colonização forçada no interior, digamos assim, a partir de benesses a grupos que eram aliados ao governador no momento. Você tem várias regiões onde houve muita grilagem de terra. É preciso uma ação governamental na regularização fundiária. Isso obviamente enfrenta os interesses de muita gente, de aliados de três dos principais candidatos ao governo – Beto Richa, Gleisi e Requião -, e a gente entende que só o PSOL tem condições de fazer esse processo. Um governo estadual não poderia fazer uma reforma agrária tão ofensiva como um federal, mas poderia fazer nas áreas devolutas e nas terras contestadas judicialmente, o que já é muita terra no Paraná.


FOLHA - Há um eleitorado que acredita, por exemplo, que as propostas do PSOL são utópicas e que o partido, uma vez chegando ao poder, faria um governo mais pragmático, como o PT, sendo necessário até a essa ala mais "radical", digamos assim, fundar uma nova legenda. É possível convencê-los de que seria diferente?


Pilotto - O único processo de convencimento possível nesse caso é a confiança, é a relação orgânica do partido com essas pessoas, é a confiança de que o partido pode ganhar com a sua ação cotidiana, não só com a sua ação eleitoral. No ano passado, por exemplo, muita gente dizia "ah, não conheço o PSOL, tira a bandeira da passeata". Nós respeitamos. E muita gente passou então a olhar para o PSOL de outra forma a partir disso. A gente também entende que o PSOL vem trazendo alguns princípios que foram paulatinamente abandonados pelo PT ao longo da sua história, como a questão do financiamento de campanha. A primeira parcela das prestações de conta exemplifica bem isso. O candidato que recebeu dinheiro da CR.Almeida, da Ambev e da Seara é a Gleisi Hoffmann. Esse princípio de não receber dinheiro de empreiteiras e banqueiros é um diferencial que pode fazer com que a população confie mais na gente.


FOLHA - Você citou todo o esforço de criar um partido do zero e lançar candidatura própria, mas quando chega a eleição o PSOL é colocado no mesmo "balaio", digamos assim, que os ditos nanicos. Essa situação o incomoda?

Pilotto - A maioria da imprensa, não é toda, obviamente, erra quando já estabelece de antemão quais são os principais candidatos. É óbvio que há candidatos com mais chance de ganhar do que outros, mas, mesmo quando existe pesquisa, o resultado das urnas tem surpreendido. A gente acha injusto colocar apenas três candidatos como prioritários ou como principais. Além disso, a gente entende que mesmo que o PSOL não tivesse chance nenhuma de ganhar, mereceria ser ouvido, porque a gente tem um programa, uma ideologia, e a gente não está na eleição para ser trampolim de outro candidato. A gente não é laranja de ninguém. E a gente tem visto nesta eleição pelo menos dois candidatos que têm claramente um comportamento de candidato laranja. Os debates de TV já estão mostrando isso. A gente considera que a presença do PSOL engrandece o debate eleitoral, porque a mesma imprensa que cobre a eleição dizendo que só tem três, é a imprensa que depois reclama que não há proposta e é uma mesmice. É uma contradição.


FOLHA - Que medidas para desmilitarizar o aparato policial brasileiro são possíveis de serem implementadas, considerando o que é de competência estadual?


Pilotto – É possível ter o que chamamos de medidas desmilitarizantes, que um governador pode tomar e que são de transição em relação à desmilitarização. Porque mesmo a desmilitarização nacional... Não haverá um decreto estabelecendo que a polícia amanhã não é mais militar. Vai haver um processo de transição. A instituição de uma carreira única, a revisão do código de ética dos policiais – hoje o código de ética dos policiais militares e dos bombeiros, o que é ainda mais absurdo, é o regime disciplinar do exército, que trata a população como inimigo interno a ser combatido. Essa é a lógica de ação da polícia hoje. E a gente tem visto a cada dia o que essa lógica tem gerado. E também a regulamentação da jornada desse profissional. Um policial faz uma média de 50 horas por semana e um bombeiro em média 60 horas. E, claro, uma fundamental, que é o controle externo da polícia pela sociedade civil. Não adianta ter uma ouvidoria da polícia se ela é militar, da mesma corporação. A gente acredita que essas três medidas tornariam a polícia mais democrática.


FOLHA - Qual a sua opinião sobre a Defensoria Pública?

Pilotto – O Paraná, vendido como um Estado moderno, do "Sul maravilha", foi dos dois últimos a implantar a Defensoria, que é uma coisa básica. As pessoas que precisam ter acesso à advocacia precisam da Defensoria como do SUS, da escola pública, do CRAS, na assistência social. A Defensoria Pública é o básico do básico. O Requião não implementou, sobrou para o (Orlando) Pessuti, que fez a lei, e caiu para o Beto Richa implementar. Há aprovados em concurso e eles não são chamados. Chamaram muitos defensores, mas a Defensoria não é só feita de defensores. Tem de ter psicólogos, assistentes sociais.


FOLHA – Seu plano de governo é também um programa de ação, pois continuará sendo utilizado para a militância cotidiana mesmo em caso de derrota nas eleições, certo? Considerando esse sentimento de indignação, que vem desde o ano passado, de que forma o PSOL pretende chamar a sociedade a participar mais da política?

Pilotto – A gente tem que atuar onde as pessoas estão e onde demonstram indignação. Se a gente olhar bem, em Curitiba quase a semana toda há notícia de que alguém queimou pneu. E assim acontece em todas as cidades. O desafio é estar onde essas pessoas estão. A gente só não consegue ainda por falta de perna. Então a gente quer apresentar um programa que não acabe no dia 5 de outubro, e pautá-lo dentro dos movimentos sociais e sindicatos. É claro que isso não vai se tornar automaticamente a bandeira desses movimentos, porque a gente procura ter uma relação democrática com a coletividade, mas é um programa de ação. Como acontece com as universidades estaduais – todo ano tem corte de orçamento. Ou a gente estabelece um mecanismo para evitar os cortes, seja governo a, b ou c, ou todo ano a gente terá que protestar. Quer a gente venha então definitivamente para conseguir uma política de Estado, não de governo, em relação às universidades estaduais. É nesse sentido que falamos em programa de ação.


FOLHA – O senhor manteria alguma iniciativa do atual governo, caso eleito?

Pilotto - Todo governo tem medidas positivas, até porque as medidas positivas não surgem só dos governos; vêm das reivindicações populares. Então, poxa... Eu não acho o programa Mãe Curitibana ruim. Ele é limitado, porque enxerga a mulher só como mãe, porque não institui política de parto humanizado, por exemplo. Mas enquanto programa que diminui a mortalidade materno-infantil, é um bom programa. Ele veio de uma ideia brilhante do Beto Richa? Ou é um programa que nas conferências de saúde, desde 1988, quando surgiu o SUS, era reivindicado pelo movimento de mulheres? Eu acredito muito mais na segunda hipótese. Então, é claro que há medidas positivas. Mas a gente se coloca como oposição na análise da totalidade. Há medidas positivas para um determinado grupo, mas medidas muito mais positivas para grupos sociais que não precisavam disso. Neste sentido, claro, o Collor acabou com o SNI (Serviço Nacional de Informações). É uma medida positiva. O FHC foi quem reconheceu que o Estado brasileiro é um Estado racista, o que abriu espaço para a instituição de uma política de cotas durante o governo Lula, por exemplo. É uma política de 2001. Foi na conferência de Durban, na África do Sul. Então, não dá para dizer que não há medidas positivas, mas elas não apresentam a totalidade do governo e são muito específicas, não se aprofundam. A mãe é muito bem atendida no Mãe Curitibana, no Mãe Paranaense, mas daí a criança faz dois anos e pronto, acabou. Agora, se vire.


FOLHA - Recentemente foi confirmado um reajuste de 24,8% da tarifa de energia elétrica no Paraná. Considerando o fato de a Copel ter acionistas privados, até que ponto o governo do Estado pode influenciar na tarifa cobrada?

Pilotto – Quando eles começaram a vender ações da Copel, diziam "não, mas nós vamos ter 55% das ações, o que significa que nós teremos o controle". Eu era bem jovenzinho quando isso aconteceu, mas lembro desse discurso. Então, o Estado tem de ter o controle. A população aceitou a venda de diversas ações por conta desse discurso. Então esse discurso tem que valer. Nós entendemos que a Copel, a Sanepar, enfim, as empresas públicas paranaenses, têm de estar a serviço da maioria da população, sem poluir o meio ambiente. A gente não vê isso, por exemplo, por parte da Copel, que está tentando implementar no interior do Estado o método "fracking" de extração do xisto, pelo fraturamento hidráulico, que causa muitos riscos ao meio ambiente. As empresas públicas paranaenses não são exemplos para as privadas e têm que ser, têm que diminuir a sua terceirização de mão de obra. A gente precisa tratá-las não como um grande lugar para os nossos apadrinhados políticos. Na administração direta você tem algumas limitações, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal, e onde eles têm distribuído cargos mesmo é nas empresas públicas e sociedades de economia mista. A gente de fora tem dificuldade de ter acesso a esses balancetes – então é preciso fazer auditoria – mas, pelo contato que a gente tem com alguns trabalhadores, sabe-se que há muito cargo em comissão, muita gente de fora pendurada lá. E a gente tem que diminuir isso aí, para quem sabe evitar o aumento da energia, da água.


Imagem ilustrativa da imagem ENTREVISTA - ‘Desafio de resgatar a esquerda é maior no Paraná’
| Foto: Paulo Lisboa
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