As crianças que estudam na Escola Municipal Carlos Kraemer, na Zona Leste de Londrina, nem devem ter percebido. Mas a solenidade de entrega das reformas do prédio, realizada na manhã de ontem, estava recheada de autoridades do município, grande parte sem ligação direta com a área de Educação.
Aparentemente, seria um acontecimento simples: a escola é antiga e passou por reformas na estrutura física, como pintura e troca de lajes e pisos. As adequações ainda nem foram concluídas, faltando a cobertura da quadra de esportes e a eliminação de barreiras arquitetônicas. A ''inauguração'' dos prédios reformados, contudo, ganhou grandes dimensões, com direito à presença do prefeito Nedson Micheleti (PT), três vereadores, pelo menos cinco secretários e dois presidentes de companhias municipais.
Ao discursar, Micheleti se defendeu das críticas que apontam caráter eleitoreiro no grande número de inaugurações que vêm se seguindo neste ano. Disse que várias obras ficaram para o último ano de sua gestão porque foi preciso tempo para colocar as contas da prefeitura em dia. Mencionou obras em mais de 50 escolas e acabou extrapolando o tema da educação, citando a doação de áreas para indústrias e o bom desempenho do emprego na cidade. Para a reportagem da Folha, o prefeito reiterou que não está visando as eleições de outubro.
''Inauguração em ano eleitoral é normal. No ano passado também fizemos várias e ninguém perguntou nada disso. Esses eventos são uma forma de divulgar para a comunidade as obras geradas pelos impostos que ela paga'', declarou, admitindo que ''todo evento é político''. Micheleti afirmou que gasta, em média, uma hora e meia neste tipo de solenidade, mas que o tempo é bem aplicado porque ''isso é trabalho do prefeito''.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, o Município utiliza uma estrutura de cerimonial bastante enxuta, organizada pelos próprios servidores de carreira e animada pela Banda Municipal. Ainda segundo a assessoria, os custos desses eventos são gerados pela estrutura de tablado e som, variando entre R$ 300 e R$ 1,1 mil. O serviço é contratado por meio de licitação.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Orlando Bonilha (PL), que também tomou parte no evento ontem, definiu os cerimoniais de inauguração realizados pela prefeitura como ''tímidos'', e os comparou aos da gestão de Antônio Belinati. ''Essa administração não faz 10% do que a passada fazia. Naquela época, era um verdadeiro trem da alegria, um foguetório a cada inauguração''.

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