Brasília- Apesar de o pente-fino conduzido pela CPI dos Correios nas contas oficiais do publicitário Duda Mendonça produzir resultados, a comissão corre o sério risco de chegar ao fim no próximo mês sem avançar nos principais pontos da investigação. Desacertos políticos internos levaram a CPI a não tomar medidas que poderiam esclarecer os milionários negócios do marqueteiro e, principalmente, as conexões dele com o valerioduto. A investigação sobre a origem dos pagamentos do empresário Marcos Valério de Souza a Duda no exterior deverá ficar inacabada. Embora a CPI tenha viajado aos Estados Unidos atrás das contas, as respostas para a verdadeira origem do dinheiro que bancou as campanhas do PT em 2002 estão no Brasil.
Segundo a confissão de Duda à CPI, Marcos Valério depositou R$ 10,5 milhões por meio de doleiros na conta da Dusseldorf, offshore aberta pelo marqueteiro nas Bahamas. A Polícia Federal e o Ministério Público já tiveram acesso aos extratos dessa conta, no BankBoston nos EUA. A CPI só os obteve informalmente.
Eles mostram que a Dusseldorf era uma ''conta-ônibus'', que tanto recebeu quanto enviou dinheiro para conhecidos doleiros mineiros e paulistas. Ou seja: os extratos, por si mesmos, não esclarecem quais os verdadeiros depositantes e beneficiários do dinheiro.

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