Entidades veem com 'naturalidade’ R$ 21,9 mil para secretariado
Em nota, entidades falam em ‘descompasso’ entre remuneração do serviço público e da iniciativa privada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de dezembro de 2024
Em nota, entidades falam em ‘descompasso’ entre remuneração do serviço público e da iniciativa privada
Douglas Kuspiosz - Reportagem Local 

Após a apresentação do projeto para elevar, a partir de 2025, para R$ 21,9 mil o salário dos secretários municipais e do vice-prefeito, entidades da sociedade civil organizada divulgaram nesta quinta-feira (19) uma nota conjunta apoiando a medida. O prefeito eleito Tiago Amaral (PSD), que só assume no dia 1° de janeiro, articulou com o Legislativo a apresentação da matéria, que será protocolada pela Mesa Executiva, justificando que é necessário ter remuneração mais atrativa para atrair uma equipe qualificada.
O texto, assinado por Acil, Ceal, Sescap-LDR, Sindimetal, Sinduscon e SRP, pondera que as entidades são a favor do “enxugamento da máquina pública, acompanhado pela eficiência do serviço”, mas destaca um descompasso entre os salários da iniciativa privada e do primeiro escalão da Prefeitura de Londrina.
“Há tempos está em discussão a necessidade de retenção de talentos em áreas essenciais do Executivo municipal, especialmente o secretariado, para que desperte o interesse de quadros qualificados para gerir setores indispensáveis como saúde, educação, trânsito, segurança e planejamento, entre outros, que exigem muita transparência, responsabilidade e competência”, diz a nota.
As entidades veem “com naturalidade” a proposta para aumento de salários de setores primordiais, “desde que o investimento seja correspondido com a melhoria e a agilidade de serviços, gerando benefícios para a população”.
“Da mesma forma, é importante que a despesa gerada por tais medidas seja equacionada dentro da própria gestão pública com corte de gastos em setores de pouca eficácia, para que não haja aumento da carga tributária para o contribuinte”, acrescentam, posicionando-se contra um “efeito cascata” para cargos comissionados, por exemplo.
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JUSTIFICATIVA
Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, Amaral justificou que os atuais vencimentos não são atrativos para formar uma equipe qualificada “Todo mundo sabe que bons profissionais custam. Bons profissionais que entregam resultados, resolvam problemas. Então, não adianta imaginar que vamos levar Londrina para um novo tempo, que vamos modernizar a cidade e resolver as questões de forma célere da melhor forma possível se não tivermos um secretariado de nível alto de exigência, que é um nível que um salário bem aplicado pode entregar.”
A tendência é que a matéria tenha sua tramitação em regime de urgência discutida na sessão ordinária desta quinta-feira. São necessários dez votos favoráveis. Se tiver a urgência aprovada, o PL deve ser deliberado em sessões extraordinárias nesta sexta (20) e sábado (21). Amaral promete anunciar alguns nomes da sua gestão na segunda-feira (23).
Convidado para falar na Câmara sobre seus planos para a gestão, Amaral aproveitou para defender, no plenário, a aprovação do aumento salarial para o secretariado. “Eu preciso colocar nas mãos de um secretário que responda por uma pasta de R$ 1 bilhão uma remuneração minimamente razoável para que eu possa cobrar dele, e com tranquilidade, dizer: ‘Se você não entregar, vou te demitir e colocar outro em seu lugar’”, afirmou.
PROJETO EM CONSTRUÇAO
Em um despacho assinado na noite de quarta, o presidente da Câmara, Emanoel Gomes (Republicanos), determinou a elaboração do PL pela Mesa Executiva e a convocação de sessões extraordinárias para a deliberação da matéria. Deverá ser feito um estudo de impacto orçamentário-financeiro.


