Entidades sugerem revisão das tarifas
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os preços que serão cobrados pelas concessionárias de pedágio que vão administrar sete novos trechos no País mostram que o valor praticado pelas seis concessionárias que administram o Anel de Integração do Paraná são caros. A opinião é compartilhada por transportadoras, economistas, agricultores e técnicos do setor consultados pela Folha.
''Depois do leilão, ficou bem claro que os preços cobrados no Paraná estão altos. Está claro que o preço está abusivo'', disse o presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge-PR), Ulisses Kaniak. Ele citou o trecho Curitiba-Paranaguá com 136 km que custa R$ 10,90 enquanto Curitiba-São Paulo com 400 km sai por um total de R$ 8,16 para veículos de passeio.
Ele destacou que um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que os valores do pedágio no Paraná subiram bem acima da inflação. Entre 1998 e 2007 o pedágio subiu, em média, 136% no Paraná (30% acima da inflação). O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no mesmo período, foi de 81%.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar), Fernando Klein Nunes, disse que os novos pedágios que serão cobrados a partir de julho de 2008 trarão impacto negativo para o setor produtivo. Ele acredita que o custo de operação das transportadoras tenha um aumento de 3% a 5%, o que acaba prejudicando a economia do Paraná como um todo e pode respingar nos preços para o consumidor final.
''Não concordamos com o pedágio porque o governo federal tem a Cide. Então que se acabe com a Cide. Com isso, o preço da gasolina e do diesel diminuiria'', destacou. Ele enfatizou que o leilão da última terça-feira ''provou o quão caro estão os pedágios no Paraná''. Ele citou como exemplo um caminhão com cinco eixos ao fazer uma viagem entre Curitiba e São Paulo pagaria R$ 40,92 de pedágio pela OHL. Já um trecho entre Curitiba e Londrina sai por R$ 128. ''Isso prova que o formato adotado pelo Paraná é errado. Por que não fizeram na Bovespa em leilão aberto? Está na hora de ser revisto o pedágio no Paraná.''
Os novos pedágios devem ter impacto menor no setor produtivo do Estado, segundo o assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Alburquerque. De acordo com ele, as novas concessões não são as das grandes vias de produtos agrícolas.
O economista do Dieese, Sandro Silva, lembrou que nas concessões de trechos estaduais as concessionárias precisam pagar percentuais para os Estados. Neste novo modelo do leilão de ontem as companhias fazem investimentos e precisam tirar lucro. Ele lembrou ainda que o leilão teve muita concorrência, o que puxou os preços para baixo.


