Entidades se unem para cobrar poder público
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quarta-feira, 18 de julho de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Cobrar políticas públicas de desenvolvimento mais eficientes, propor formas de intervenção respaldadas em análises técnicas e monitorar a aplicação do Estatuto das Cidades - à parte disso, atuar na mediação de fatos tão diversos quanto a demolição do patrimônio histórico ou a guerra entre comércio formal e informal que, há uma semana, alçou Londrina no noticiário nacional. Abrangentes - e otimistas quanto à aceitação junto ao poder público municipal -, essas são algumas das propostas do projeto Câmaras de Políticas Públicas, que agrega 33 entidades da sociedade civil londrinense e será oficialmente lançado hoje.
A iniciativa é encabeçada pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) e, em um primeiro momento, propõe a criação de um órgão que acompanhará as diversas frentes de interferência pública no município. Para isso, o grupo contará com 15 sub-câmaras especializadas e com membros indicados pelas respectivas áreas de conhecimento das entidades envolvidas. Participam segmentos da indústria e comércio, saúde, segurança, transporte, finanças, planejamento urbano, meio ambiente, educação, cultura, turismo e preservação e revitalização do patrimônio histórico, dentre outros.
Ao citar a defesa de causas que já figuram como antigas promessas políticas para Londrina - o ILS ainda não implantado no aeroporto, por exemplo -, o presidente do Ceal, engenheiro Nelson Brandão, definiu a Câmara de Políticas Públicas como instrumento de cobrança dessas mesmas promessas. ''Mas não no sentido de repreender o poder público, e sim, no de colocar as entidades a auxiliá-lo para trazer o desenvolvimento, como mediadoras'', minimizou.
Brandão explicou que o projeto vinha sendo gerido há pelo menos oito meses até ganhar forma. A idéia, comentou, nasceu no começo de 2005: referência a duas doações de terrenos a construtoras, efetuadas pela Prefeitura com respaldo da Câmara de Vereadores, após a eleição municipal de 2004, e questionadas judicialmente depois pelo Ceal. Nesse sentido, o engenheiro alerta: a Câmara organizada pelo Clube pode até ter caráter mediador, mas estará preparada também para intervenções judiciais contra ações que as entidades avaliarem como prejudiciais ao desenvolvimento de Londrina.
''O que estiver sendo feito de errado, desde uma licitação com empresas não idôneas, ou doações de áreas em épocas eleitorais, ou ainda o protecionismo que mine a concorrência na cidade, queremos também fiscalizar e garantir que a legalidade seja cumprida - nem que pelas vias judiciais. As entidades estarão atentas a esses aspectos'', afirmou.
O lançamento do projeto será no próprio Ceal, às 14 horas. O telefone da entidade é o (43) 3348-3100.


