Entidades da sociedade organizada realizaram ontem os primeiros atos de repúdio ao aumento da verba de gabinete na Câmara de Vereadores de Londrina. Com o reajuste aprovado semana passada por 11 votos a sete, os parlamentares contam não mais com R$ 4,3 mil, e sim com R$ 6,8 mil para contratação de até cinco assessores. Contudo, uma liminar emitida anteontem pelo juiz da 10 Vara Cível, Álvaro Rodrigues Junior, suspendeu temporariamente os efeitos da resolução que estabelecia os novos valores.
A primeira manifestação organizada mesmo porque a segunda votação foi acompanhada na Câmara por cidadãos que lotaram as galerias foi promovida ontem à tarde, na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Na ocasião, representantes da Federação das Associações de Moradores e demais Entidades Civis Organizadas de Londrina (Famecol) entregaram aos promotores Leila Voltarelli e Renato Lima de Castro um abaixo-assinado de apoio a ação civil pública promovida pelo Ministério Público (MP) e que originou a liminar. Segundo o presidente da Famecol, Osvaldir Gomes de Oliveira, o material reuniu 20 assinaturas de entidades, ONGs, conselhos e associações de moradores, bem como as de 30 cidadãos, na tentativa conseguir a derrubada definitiva do aumento. ''A grande preocupação dessas pessoas é que muito vereador só as procura em época de eleição. De agora em diante vamos fazer marcação cerrada frente a atitudes como essa'', avisou Oliveira.
Junto com o presidente da Famecol, o presidente do Conselho Comunitário da Região Norte, Carlos Costa, também criticou o reajuste que teve apoio, inclusive, de vereadores eleitos pela Zona Norte. Um deles é o próprio presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL). ''O pessoal lá ficou indignado, mas principalmente surpreso com ele (Bonilha) e com o prefeito'', disse Costa, referindo-se também a uma declaração do prefeito Nedson Micheleti (PT), esta semana, dizendo que não discordava do reajuste.
Também ontem, por volta das 19 horas, membros do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) e da ONG Pés Vermelhos, Mãos Limpas debateram o assunto em audiência pública no auditório da subseção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na avaliação do presidente da ONG, Miguel Antonio Ramos, os parlamentares teriam desrespeitado a Constituição Federal ao ''ferirem os princípios morais dos atos administrativos''.

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