Curitiba - O diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) no Paraná, João Chiminazzo Neto, afirmou que vai tomar ''medidas jurídicas em todas as instâncias necessárias'' contra a lei que isenta do pagamento da tarifa de pedágio os condutores dos veículos que possuírem placa do município onde está instalada a praça de cobrança. A lei, de autoria do deputado estadual Antônio Anibelli (PMDB), foi sancionada anteontem pelo governador Roberto Requião (PMDB). Chiminazzo disse que a lei é ''equivocada'' e ''inconstitucional'' e que só aguarda a publicação para entrar com uma ação. ''É mais uma agressão à iniciativa privada do Paraná'', declarou.
Chiminazzo também comentou sobre a possibilidade de aumento da tarifa de pedágio, caso a lei passe a vigorar. ''Ela prejudica a muitos em benefício de poucos. Alguém vai ter que pagar pelos isentos''. A lei passa a valer na prática logo que publicada, o que deve acontecer entre hoje e o início da próxima semana.
Em nota divulgada pela Viapar (Rodovias Integradas do Paraná), uma das seis concessionárias que atuam no Estado, é dito ainda que, a respeito da ''operacionalização'' da lei, a empresa ''vai estudar'' sua ''forma de implantação prática''.
À frente do Fórum Popular contra o Pedágio, Acir Mezzadri disse à reportagem que a lei é apenas um ''paliativo''. ''É um filme conhecido, em que pese a boa intenção do governo. As concessionárias se acham donas das estradas e vão ganhar na Justiça, como já tem acontecido. Os contratos de concessão não deixaram espaço para a aprovação de leis assim.''
O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Luiz Anselmo Trombini, também se manifestou contra a lei através de nota. Trombini afirma que a lei vai ''pesar diretamente no bolso do setor produtivo''. ''A lei cria uma isenção e simplesmente não diz de onde vai sair o dinheiro. Vai sair do bolso de quem paga a tarifa'', disse. ''Assim fica muito fácil conceder benefícios. É cortesia com o chapéu alheio. O governo beneficia um grupo e nós pagamos a conta. Não somos contra a gratuidade, somos contra ficar com o prejuízo.''
A Secretaria de Estado dos Transportes não quis se manifestar. No texto de justificativa apresentada pelo deputado Anibelli, é dito que os moradores das cidades onde têm praça de pedágio ''transitam várias vezes por dia exclusivamente a serviço'' e que, por isso, a lei vai reduzir as despesas dos trabalhadores.
A Agência de Notícias do Governo do Paraná aponta que a isenção deve beneficiar proprietários de mais de 430 mil veículos emplacados em 27 municípios onde estão instaladas as praças de pedágio.

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