Entidades saem em defesa de secretário
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sexta-feira, 11 de agosto de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
Seis entidades do setor empresarial de Cascavel divulgaram ontem nota na qual condenam o que classificam como julgamento prévio a que estaria sendo submetido o secretário estadual de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, que é de Cascavel. Ele foi apontado como intermediador do que caracterizaria compra de apoio de candidatos a vereador pelo PFL, à campanha a prefeito do deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB). O candidato é do mesmo partido do secretário e tem como adversário o também deputado Edgar Bueno (PDT), ex-líder da oposição na Assembléia Legislativa.
O Ministério Público Eleitoral (MP) investiga a denúncia de que Sciarra teria intermediado a oferta de recursos aos candidatos, patrocinados por João Luiz Félix, empresário da construção civil. Sciarra também é do ramo da construção.
A denúncia investigada pelo MP foi feita pelo candidato a vereador Leonaldo Paranhos (PFL). Segundo ele, 15 dos 22 candidatos do PFL teriam recebido a oferta de 100 mil santinhos, 500 camisetas, 2 mil litros de gasolina, 10 cabos eleitorais com salários de R$ 150,00, gravação de programa de rádio e tevê e mais R$ 10 mil para cada candidato no dia da eleição.
O PFL não tem nenhuma coligação e deveria apoiar Edgar Bueno informalmente, como havia recomendado o então presidente do diretório municipal, o ex-prefeito Jacy Scanagatta. Depois de uma reunião dos 15 candidatos pefelistas a vereador com Sciarra e Félix, o grupo decidiu manifestar apoio à candidatura de Tiago. Ao saber do encontro, Scanagatta renunciou à presidência do partido e pediu sua desfiliação da sigla.
As denúncias têm tido grande repercussão na imprensa. Por causa disso, as entidades empresariais decidiram se pronunciar. A nota de apoio ao secretário do governador Jaime Lerner (PFL) é assinada pelos sindicatos da Indústria da Construção Civil e Rural Patronal, associações Comercial e Industrial, das Micro e Pequenas Empresas e dos Engenheiros e Arquitetos e Sociedade Rural.
Na nota, as entidades afirmam que Sciarra é líder empresarial de atuação ilibada em diferentes entidades representativas, tem passado inatacável e é alvo de manobras e injunções políticas que resultam em prejulgamento irracional e perverso, porque pode execrar inocentes ou absolver culpados.
As entidades argumentam ainda que o secretário é o único representante de Cascavel a ocupar cargo no primeiro escalão do governo e sua atuação não deve ser prejudicada por precipitação ou interesses eleitoreiros.
A intervenção dele na eleição de Cascavel teria o objetivo de impedir que o PFL fosse para o palanque de um candidato que, na Assembléia Legislativa, liderou a oposição contra o governo do Estado. Sciarra nega as denúncias e buscará a responsabilização judicial contra seus acusadores. O empresário João Luiz Félix não tem se pronunciado.


