Sindicatos e entidades ligadas aos Direitos Humanos entregaram ontem à tarde um manifesto de apoio ao promotor José Aparecido da Cruz, principal responsável pelas ações de improbidade que apuram desvios na Prefeitura de Maringá. O manifesto é assinado por 31 dirigentes sindicais e representantes de movimentos sociais. O documento reforça o ato público realizado no sábado, quando entidades que ainda não haviam aderido ao Movimento pela Ética e em Defesa do Patrimônio Público se manifestaram contra a corrupção em Maringá.
Para o promotor, o manifesto reforça a vontade do Ministério Público (MP) de trabalhar. ‘‘Devemos lembrar também daquele cidadão sem voz que não pode estar aqui mas é o principal prejudicado pelas políticas de desvios nas administrações públicas’’, ressaltou. Segundo Cruz, ‘‘muitas surpresas’’ ainda virão no decorrer das investigações da promotoria. ‘‘Com o dinheiro desviado dava para fazer um tapete de notas de R$ 100,00 que cobriria toda a Avenida Brasil (principal via de Maringá que corta quase toda a cidade)’’, comparou.
O presidente da OAB-Maringá, Lélis Vieira, que representou as entidades e entregou o manifesto, disse que o trabalho do MP vem para erradicar a corrupção de Maringá. Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina, seccional de Maringá, Messias Mendes, a sociedade ganhou um presente com as ações do MP. ‘‘Milito há anos na imprensa e sempre soube que as coisas eram nebulosas, mas só agora elas puderam de fato se tornar claras’’, afirmou.
A defesa do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, decidiu adiar e protocolar o pedido de habeas corpus entre hoje e segunda-feira. O advogado Wagner Pacheco disse ontem que ainda vai fazer ‘‘algumas pesquisas’’ no Tribunal Regional Federal (TRF), em Porto Alegre, para tentar tirar o seu cliente da prisão. ‘‘É certo que vamos pedir, mas não posso precisar o dia’’, afirmou. Ele não quis dar outros detalhes.
Paolicchi está preso desde o dia 8 de dezembro, acusado pela Justiça Federal de peculato, formação de quadrilha, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O ex-secretário pode ter desviado dos cofres da prefeitura mais de R$ 100 milhões. Na Justiça comum, Paolicchi responde junto com o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido), a um processo de improbidade administrativa. Neste processo, as investigações do MP já apontam desvios de mais de R$ 30 milhões.
Agora a promotoria está partindo para investigações com o objetivo de detectar valores que teriam ido parar em contas e negócios no exterior.

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