Entidades querem ser ouvidas sobre qualquer mudança
As entidades representantes dos produtores rurais, cooperativas de produção, transportes de cargas e dos engenheiros, instaladas no Paraná, querem ser chamadas e ouvidas nas discussões que envolvam um possível reajuste do pedágio, vigentes nas rodovias do Anel de Integração.
O presidente do Sindicato dos Transportadores de Cargas (Setcepar), Rui Cichella, disse que o governo não pode baixar uma decisão de cima para baixo. Um reajuste nesse momento é prejudicial, por que aumenta os encargos. O pedágio representa 15% do custo do frete, observou.
Cichella acha que a discussão deve ser técnica e não política. Se tem pedágio, em vez de aumentar, por que o governo não tenta acabar com o IPVA e outros impostos que hoje estão nos maltratando?, questionou. Um aumento traz consequências. Fica difícil segurar.
Carlos Roberto Bittencourt, presidente do Sindicado dos Engenheiros (Senge), disse que, finalmente, o governo admitiu que a posição de reduzir tarifas foi eleitoreira. Precisamos é de valores compatíveis, dentro da realidade. A renda das pessoas está cada vez menor e eles ainda querem aumentar o preço do pedágio, reclamou.
A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) alega que 70% do transporte do Estado corresponde ao escoamento da produção agropecuária. A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) argumenta que 60% da produção agropecuária é escoada pelas cooperativas e como grande usuária quer estar na discussão.
A preocupação das cooperativas é que o valor do pedágio a ser arbitrado seja viável para os dois lados e não apenas para um setor, no caso as concessionários, afirma José Roberto Ricken, diretor executivo da Ocepar. Segundo Ricken, as taxas atuais são aceitáveis, mas qualquer reajuste acima disso tem que ser bem discutido entre os usuários, mesmo porque as rodovias não estão duplicadas.
Já o presidente da Faep, Ágide Meneguette, se posicionou frontalmente contra qualquer movimentação que resulte no reajuste do pedágio. E disse que a Faep ainda não foi consultada sobre o assunto. Segundo Meneguette, as taxas atuais pesam para o produtor e um reajuste iria reduzir ainda mais a rentabilidade do setor. (L.D. e Vânia Casado)





