Entidades da sociedade civil de Londrina querem ouvir o prefeito Nedson Micheleti (PT) sobre os aumentos de gastos com pessoal nos dois últimos anos de administração. A decisão foi aprovada ontem na terceira rodada de diálogo, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), entre representantes de diversos segmentos e partes interessadas no fim da greve dos servidores. O movimento completa hoje 64 dias.
Ontem, os representantes se reuniram com diretores do sindicato que representa os 7 mil servidores municipais, o Sindserv, e receberam deles números que comprovariam incremento de gastos com folha em 2005 e 2006. Parte do que foi exposto integra o estudo feito pela Controladoria da Câmara de Vereadores, e divulgado semana passada, sobre a evolução das receitas e despesas do Município nos três últimos anos. O número destacado foi o incremento de mais de 12% que gratificações e abonos a alguns setores gereram apenas este ano.
Outro dado apresentado na Acil, com base em estudo encomendado pelo Sindserv ao Dieese, é o de 16% de impacto na folha gerado pelo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) ano passado. Para corroborar esse argumento, os diretores do sindicato levaram holerites de funcionários que, desde dezembro passado receberam promoções de 70% (assistentes sociais) a 100% (Procuradoria Jurídica e Fazenda).
O presidente da Acil, Rubens Benedito Augusto, afirmou que o próximo passo será ouvir o prefeito. ''Fizemos as duas reuniões com os representantes da Câmara, essa de hoje (ontem), mas precisamos ouvir agora o prefeito porque as informações estão desencontradas; há divergências, e cada um mostrou seu lado'', disse Augusto. Segundo ele, entre os pontos de desencontro estão os dados sobre comissionados, terceirizados e impacto do PCCS. ''Se uma minoria foi beneficiada, e não houve repasse da inflação a toda a categoria, parece que isso gerou um descontentamento grande. A impressão é que o PCCS virou uma brasa na mão do prefeito'', comparou o empresário, para quem Nedson terá de dizer as todas as entidades, juntas, o porquê de não ofertar reposição. Até então, o chefe do Executivo mantivera conversas individuais com alguns segmentos.
Um dos menos convencidos dos gastos com pessoal, na semana passada, o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Sescap), José Joaquim Ribeiro, acredita que a reunião com o prefeito servirá para esclarecer antes de um posicionamento final.
''Se o prefeito afirma que não negocia para não gerar expectativa, ele tem de saber que o acordo pelo fim da greve de 2005, não cumprido, já gerou uma expectativa. Se foram dados benefícios localizados e sem orçamento para incrementar gastos com folha, como ele diz, ele terá de nos convencer'', avisou.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, pediu que as reuniões se traduzam em maior cobrança pelo início das negociações. A assessoria do prefeito não conseguiu localizá-lo para confirmar a intenção em se reunir na Acil.

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