Curitiba – As entidades que participaram do seminário ‘‘Energia – Diferencial para o Desenvolvimento Sustentável’’ em Curitiba defenderam a realização de uma nova sessão na Assembléia Legislativa para discutir o projeto popular que impedia a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Em uma sessão conturbada, ocorrida em agosto do ano passado, os deputados da base de apoio de Lerner derrubaram o projeto por 27 votos a 26.
  Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia no Paraná (Crea), Luiz Antonio Rossafa, o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), não deveria recorrer da decisão do Tribunal de Justiça (TJ) da última sexta-feira, que determinou a repetição da sessão. No entender do TJ, irregularidades na condução da sessão possibilitaram a troca do suplente Custódio da Silva (PTB) pelo titular do mandato, Nelson Justus (PFL), o que teria alterado o resultado final da sessão.
  ‘‘Foram 135 mil assinaturas pedindo a suspensão da venda, no primeiro projeto popular de toda a história do Legislativo brasileiro. Repetir a votação agora seria mostrar que o Brasil mudou, e seus parlamentares estão mais antenados com a vontade da população. Seria um presente de Natal para todos’’ comentou Rossafa.
  O presidente da Assembléia não concorda com a argumentação do TJ. ‘‘A sessão transcorreu de maneira normal, e iremos recorrer da decisão junto ao Supremo Tribunal de Justiça’’, garantiu Hermas Brandão, que presidiu a sessão polêmica.
  Para o presidente do PDT estadual e presidente do então Fórum Popular contra a Privatização da Copel, Nelton Friedrich, a repetição da sessão não tem apenas um valor simbólico. ‘‘Da maneira que está, a Copel ainda pode ser vendida, apesar do governador eleito Roberto Requião (PMDB) ter dado garantias que isso não vai ocorrer. Mas é uma forma de reestabelecer a seriedade e a forma correta de aplicar as leis na Assembléia’’, disse Friedrich.
  A Copel foi um dos principais temas discutidos no seminário realizado ontem em Curitiba. Para Friedrich, que coordenou o Fórum Popular contra a Privatização da Copel, a garantia da não-venda da estattal e o compromisso de Requião de fazer uma auditoria das contas da emporesa são sinais de que a Copel pode voltar a andar no rumo certo.

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