Entidades de defesa dos direitos humanos no Brasil e no exterior querem que os ministérios militares abram seus arquivos secretos e que o governo investigue e identifique as circunstâncias, datas e locais em que foram vitimados os mortos e desaparecidos políticos.
Os aparelhos de fax da Presidência da República e da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça estão recebendo dezenas de cartas pedindo que os trabalhos dessa comissão não sejam encerrados em fevereiro.
A previsão é de que os últimos 12 casos de pagamento de indenizações para as famílias sejam resolvidos até o próximo mês. As entidades temem que a comissão, de sete membros, se dissolva depois de analisar os pedidos de pagamento das indenizações.
Desde que foi criada, em janeiro de 1996, a comissão analisou 232 casos. As entidades afirmam que a lei que criou a comissão prevê, pelo menos, a busca das ossadas dos desaparecidos. A lei afirma ainda que a comissão pode convidar testemunhas sugeridas pelas famílias para indicar pistas dos locais onde poderiam estar as ossadas.
‘‘Nosso objetivo nunca foi receber indenizações. Queremos enterrar os ossos e que a sociedade saiba da verdade’’, disse Amparo Araújo, do grupo Tortura Nunca Mais de Pernambuco, irmã e viúva de desaparecidos políticos.

mockup