O futuro prefeito de Maringá terá que abrir um canal de negociação com todos os setores da sociedade, que se mostram interessados em participar das decisões, inclusive discordando desde já de alguns pontos de governo colocados pelos candidatos Dr. Batista (PTB) e José Cláudio (PT). A maior preocupação e também a base da campanha dos dois candidatos é a saúde.
O diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (Sismar) e membro do Conselho de Saúde, Antônio Dias Martins, acha que a futura administração precisa ‘‘apenas respeitar o cidadão’’. Ele diz que hoje as decisões tomadas pelo conselho não chegam a ser praticadas.
‘‘A fila que sumiu da frente dos postos de saúde hoje é virtual’’, afirma Martins. Apesar da redução do número de pacientes esperando atendimento, ele lembra que muitos doentes ficam em casa, aguardando meses por uma consulta especializada. ‘‘O dinheiro hoje é loteado entre os setores envolvidos, enquanto falta recurso para atender a demanda.’’ Apenas do Sistema Único de Saúde (SUS), a prefeitura de Maringá recebe mais de R$ 25 milhões por ano. Mesmo assim faltam recursos.
Na geração de empregos as lideranças esperam uma abertura do futuro prefeito para a busca conjunta de vagas. Dados do escritório local da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert) mostram que nos últimos dois anos Maringá manteve uma oferta de vagas acima da média estadual. ‘‘Mas falta qualificação e escolaridade’’, explica o chefe da Sert local, Neuton Correia Pinho. Ele revela que de janeiro a julho apenas 41% das vagas abertas foram ocupadas.
No primeiro semestre passaram 24.372 desempregados pelo Sert de Maringá e das 6.968 vagas abertas apenas 2.877 foram ocupadas. ‘‘Mesmo assim estamos empregando bem mais que nos anos anteriores’’, diz. Durante 1997, compara, foram colocados pouco mais de 1,5 mil desempregados. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Maringá, Rivail Assunção, quer participar da busca de novos empregos. ‘‘Se a administração agir sozinha não vai alcançar resultados’’, avisa.
Um dos exemplos citados por Assunção é a proposta de Dr.Batista, de formar frentes de trabalho para gerar emprego, pagando um salário mínimo ao mês. ‘‘Cada categoria tem seu piso salarial e sem acordo não existe frente de trabalho com pagamento de salário mínimo’’, lembra. ‘‘Por que não incentivar quem está no mercado, através da redução na jornada de trabalho e criação de novas vagas?’’, pede Assunção.
O incentivo a novos investimentos, que também servem para a geração de empregos, é cobrada pelo setor produtivo. ‘‘Já estamos nos reunindo com os candidatos para mostrar o que as entidades esperam’’, explica o presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), Jeferson Nogaroli. A primeira cobrança é que a administração mantenha o repasse para o Fundo Municipal de Desenvolvimento, que faz a política de incentivos.
O incentivo a novos investimentos, que também servem para a geração de empregos, é cobrada pelo setor produtivo. ‘‘Já estamos nos reunindo com os candidatos para mostrar o que as entidades esperam’’, explica o presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), Jeferson Nogaroli. A primeira cobrança é que a manutenção do repasse para o Fundo Municipal de Desenvolvimento, que faz a política de incentivos.
‘‘Maringá está com uma infra-estrutura adequada para atrair investimentos e a prioridade seria a estruturação administrativa’’, diz Nogaroli. Ele lembra que existem alguns obstáculos para a próxima administração, como a dívida pública. A intenção dos dirigentes é fazer um movimento nos moldes do ‘‘Repensando Maringᒒ, lançado há cerca de cinco anos e que alavancou o desenvolvimento econômico.
O setor de educação também espera uma abertura da administração. ‘‘Precisamos de representantes para cobrar resultados em todos os níveis, o que não encontramos hoje’’, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sintemar), Almir Carvalho de Oliveira. Ele diz que a cidade atrai estudantes de toda a região, mesmo no ensino médio, e deve oferecer qualidade.
Através de uma postura voltada ao setor e de uma cobrança maior em cima do Estado, diz Oliveira, será possível melhorar as condições de ensino. ‘‘O que realmente vai trazer mais qualidade ao ensino é a valorização dos profissionais’’, defende.
Outra preocupação para o próximo prefeito é construir mais casas populares. O último cadastramento realizado pela Cohapar atraiu 8.400 famílias. O déficit habitacional, no entanto, é bem maior. A Associação dos Mutuários de Maringá calcula em 10 mil unidades para famílias de baixa renda. O presidente da entidade, Mauro de Menezes, diz que a prefeitura precisa também apoiar os mutuários inadimplentes. ‘‘São milhares de famílias com ação de despejo que não têm para onde ir.’’

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