Entidades querem elucidar caso dos papéis queimados
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terça-feira, 14 de dezembro de 2004
Biaggio Talento<br> Agência Estado 
Salvador - Dirigentes do Grupo Tortura Nunca Mais, da seccional da Bahia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e parlamentares do Estado querem esclarecer o caso dos documentos dos órgãos de informação das Forças Armadas que foram achados, parcialmente queimados, na Base Aérea de Salvador (Basa). O coronel-aviador Norcélio Ramos, comandante da Basa, não permitiu ontem o acesso da imprensa ao local onde os papéis foram achados e divulgou uma nota afirmando que ''a organização está tomando todas as providências para elucidar bem os fatos''.
Segundo a presidente do Tortura Nunca Mais na Bahia, Ana Maria Guedes, há um ano, representantes do Ministério da Justiça procuraram a organização não-governamental (ONG) para tentar abrir os arquivos da Polícia Federal (PF) no Estado relacionados com o período da ditadura, com a condição que o conteúdo não fosse tornado público. A organização examinou a papelada, contando pelo menos 400 fichados pela PF por ''atividades subversivas''. Contudo, Ana Maria disse que foi surpreendida pela quantidade de documentos achados na Base Aérea, dos quais a entidade não tinha conhecimento. Ela conclamou a população a cobrar do governo a abrir os arquivos do autoritarismo e quer que o material recolhido na Basa retorne a Salvador.
É o mesmo que pretende o deputado estadual Emiliano José (PT-BA), que atuou em conjuntos armados contra o golpe militar, sendo preso e torturado na década de 70. ''É bem sintomático que se descubra a tentativa de destruição de documentos secretos, quando se discute a possibilidade de o governo abrir os arquivos da ditadura'', disse.
O presidente da seccional da OAB na Bahia, Dinailton Nascimento Oliveira, enviou ofícios para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e os comandantes militares no Estado cobrando a ''apuração rigorosa'' dos fatos. ''A Ordem dos Advogados do Brasil, seção Bahia, repudia, veementemente, a incineração de documentos que pertencem ao povo brasileiro e registram um período da nossa história que não podemos esquecer, não por revanchismo, mas para evitarmos que se repitam. É importante que tais documentos fiquem guardados para servir de referência na construção de uma sociedade em que prevaleçam a paz e a harmonia social'', diz um trecho da mensagem enviada a Lula.


