Os números fornecidos pela Câmara de Vereadores de Londrina a entidades da sociedade civil, referentes ao estudo das receitas e despesas da prefeitura, serão confrontados amanhã em reunião com diretores do sindicato que representa a categoria, o Sindserv. O objetivo é ter clareza absoluta das condições de caixa do Executivo ante a afirmação de que não é possível conceder reposição salarial e, só então, tomar ou não um posicionamento. Paralelamente, os representantes querem entender como a administração extrapolou o limite de gastos com folha de pagamento, o que será feito, e quando, para reverter esse quadro. A greve completa hoje 62 dias e já é a maior na história da categoria.
O questionamento foi levantado na sexta-feira à tarde em nova rodada de diálogo com vereadores e Controladoria da Câmara. Na noite anterior, eles haviam apresentado aos líderes de entidades o estudo feito pela Casa nas contas de 2004 a 2006 do Executivo, divulgado na última quarta-feira. O levantamento apontou que, pelos números dos primeiros sete meses deste ano, e sem verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) na Receita Corrente Líquida (RCL), a prefeitura extraopolou o limite de 54% de gastos com folha autorizado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Por outro lado, o documento sugeriu que a solução pelo reequilíbrio da relação entre receita e despesa passa necessariamente pelo aumento da arrecadação da dívida ativa, ou pelo corte de comissionados e servidores não estáveis.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Sescap), José Joaquim Ribeiro, a reunião de amanhã será fundamental para defesa de um ponto de vista mais consolidado pelo fim da greve. Ribeiro havia sido um dos descontentes com os dados apresentados pela Câmara, dados esses que foram complementados na reunião de sexta.
''Do jeito que está, não temos ainda como nos convencer. A idéia nossa era busca direto na fonte (na prefeitura) dados sobre gastos com pessoal, mas com a greve, fica difícil. Nessa confusão toda, ficamos sem detalhes que nos permitam analisar a raiz do problema de um caixa que colocou a prefeitura no fundo do poço'', avaliou. Para ele, o cruzamento dos dados oficiais - do estudo da Câmara - com os fornecidos pelo Sindserv (respaldado, no caso, por estudos do Dieese) fecha o impasse.
A opinião foi compartilhada, em parte, por uma das diretoras da Acil Rosângela Khater. ''Temos que ouvir o Sindserv e confrontar os dados, todos os balancetes apresentados a nós até aqui. Não podemos assinar embaixo um documento que não possa ser totalmente comprovado'', declarou, referindo-se ao material levado pelos vereadores.
Durante a reunião, o presidente da Cáritas Arquidiocesana, Oswaldo Calzavara, questionou os representantes da Câmara sobre as gratificações localizadas a grupos de servidores, e o possível impacto de medidas como essas na ultrapassagem do limite de 54%. ''Isso precisa ser checado, pois sabemos de 90 servidores da Assistência Social, por exemplo recebendo 70% de promoção. Por que outros ficaram sem nada? E por que outros receberam 100%? São informações que estão jogadas'', opinou, à mesa.
Pouco depois, em entrevista, Calzavara emendou: o que se pediu, na sexta, foi a complementariedade dos dados da véspera, a fim de reabrir e ampliar a discussão nesta semana. ''As entidades foram chamadas a ajudar a cidade, tirando um posicionamento e, após, uma proposta concreta. Só que precisamos de detalhes de gastos com pessoal'', definiu.
Mesmo com toda a discussão e com as dúvidas que devem ser sanadas apenas ao longo dos próximos dias, o vereador Sidney de Souza (PTB), que comparou dados de terceirizados de Londrina com os de Joinville (SC), garantiu aos presentes: ''Analisando como contador, e como vereador, digo: não dá para dar reposição'', sentenciou. Os dados do Dieese passados ao Sindserv, contudo, apontaram há mais de uma semana a possibilidade de 10% a 16% de reposição sem anulação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).

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