Entidades querem ampliar corte na Câmara de Maringá
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Um grupo de 48 entidades representativas da sociedade civil de Maringá manifestou ontem apoio à proposta de cinco vereadores de oposição de cortar 68 cargos comissionados na Câmara Municipal. Atualmente, o órgão tem 160 comissionados - 78 ligados à presidência e diretorias, e o restante lotados nos gabinetes dos 15 vereadores. A proposta de enxugamento geraria uma economia de R$ 3,5 milhões por ano. Em 2008, a folha de pagamento no Legislativo alcançou R$ 8 milhões.
A proposta dos vereadores Humberto Henrique (PT), Flávio Vicente (PSDB), Mário Verri (PT), Manoel Sobrinho (PCdoB) e Marly Martin (Dem) - se contrapõe ao relatório de uma comissão instituída pelo presidente da Câmara, Mário Hossokawa (PMDB), que prevê uma redução de comissionados bem mais modesta. Pela proposta ''oficial'', elaborada sob a coordenação do vereador Heine Macieira (PP), seriam extintos 22 cargos.
A Câmara de Maringá é pródiga em funções de natureza política - algumas desnecessárias e outras que deveriam ser providas por concurso público. No primeiro grupo estão, por exemplo, 15 cargos nos gabinetes da 1 , 2 e 3 vice-presidências e na 1 , 2 e 3 secretarias. Quando ocupam funções nas vice-presidências e secretarias, os vereadores acumulam os comissionados com os dos próprios gabinetes. Por outro lado, o relatório da oposição cita que as funções de advogado, contador, recepcionista, cinegrafista e iluminador, dentre outras, tem natureza técnica e deveriam ser exercidas por funcionários de carreira.
''A redução dos cargos não fará falta nenhuma. Aliás, como sugerimos a realização de concurso para preencher 25 cargos técnicos, teremos mais independência e melhoria na qualidade do serviço prestado'', afirmou Humberto Henrique.
Durante reunião realizada ontem pela manhã entre os cinco vereadores e as entidades da sociedade civil, a proposta foi considerada bem mais avançada que a da comissão oficial. A reunião foi convocada pelo Observatório Social - entidade criada para fiscalizar o uso do dinheiro público nos órgãos municipais.
''A proposta da comissão oficial é ridícula, totalmente chapa branca e longe de qualquer aspiração da comunidade'', afirmou Décio Rui Pialarissi, um dos coordenadores do Observatório. ''Se hoje a gente tentar colocar todos os funcionários na Câmara, não vai caber. Estamos claramente pagando para gente que não trabalha.''
Alheio à manifestação popular, o presidente da Câmara minimizou o relatório paralelo e disse que vai elaborar um projeto de lei com as recomendações da comissão especial.
''O relatório da oposição tem o nítido propósito de inviabilizar a administração. É uma retaliação. Eu nomeei uma comissão especial, que trabalhou durante 60 dias, e é em cima dela que vou encaminhar a proposta'', afirmou. Apesar da convicção, Hossokawa reconheceu que o corte de 22 comissionados não elimina as gorduras da Câmara. ''Mas não fui eu que fiz inchar a casa e não dá para mudar da noite para o dia'', defendeu.


