Entidades pressionam delegado
Leandro Donatti
De Curitiba
A Associação dos Magistrados do Paraná (AMP) e as entidades ligadas à Polícia Civil no Estado querem que o delegado do Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera), Adauto de Oliveira, revele os nomes dos juízes e policiais suspeitos de envolvimento com o narcotráfico no Paraná.
A Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), o Sindicato das Classes Policiais (Sinclapol) e a União da Polícia Civil entraram com uma interpelação judicial para forçar Adauto a revelar os nomes. O presidente da AMP, Jorge Massad, enviou ontem um ofício ao delegado e outro, com o mesmo teor, ao deputado Ângelo Vanhoni (PT), o presidente da Comissão Especial de Investigação (CEI) criada pela Assembléia Legislativa para dar suporte à CPI do Narcotráfico.
Massad disse que a indicação dos envolvidos alvo dos depoimentos de Adauto de Oliveira e de Vanhoni prestados à CPI na semana passada, em Brasília é fundamental para o esclarecimento dos fatos. Em nota oficial, o dirigente defendeu a instauração de processo, assegurando aos envolvidos amplo direito de defesa. Em respeito à sociedade paranaense e, em particular, a todos os membros do Judiciário, peço a declinação dos nomes dos juízes envolvidos, para que se apurem os fatos, consta no ofício.
Mesmos argumentos a transparência e a não generalização são arguidos na ação ajuizada pela Adepol, Sinclapol e União da Polícia Civil. As entidades pedem resposta à interpelação em 48 horas. Os autos estão sobre a mesa do juiz substituto da Central de Inquéritos, Rogério Etzel.
Não podemos nos calar diante de fatos tão graves, argumenta a responsável pelo setor jurídico da Adepol, Valéria Padovani. O presidente do Sinclapol, Luiz Bodernowski, fez côro, mas num tom mais provocante. O Adauto fica buscando a promoção pessoal e a auto-afirmação dentro da polícia. Os policiais hoje são muito mal remunerados e não têm perfil de traficantes como tenta se pintar, avalia.
Bodernowski disse que a categoria sentiu-se ofendida com as suspeitas levantadas pelo delegado do Grupo Fera. Ele não podia ter feito isso com a gente, disse Bodernowski. O presidente do Sinclapol fez um desafio a Adauto de Oliveira, que o mesmo revele junto com os policiais os nomes dos juízes suspeitos de envolvimento com o narcotráfico no Paraná.
Procurados pela Folha, apenas Adauto de Oliveira deu entrevista. O celular de Ângelo Vanhoni estava desligado e sem caixa postal para recados. O meu depoimento foi público. Estou providenciando cópias da transcrição para todo mundo ver. As entidades deveriam ter se preocupado em conferir isso primeiro antes de me acionar judicialmente, alegou Adauto.
O delegado responsável pelo Grupo Fera nega que tenha generalizado às acusações. Confirmou que existem policiais envolvidos com droga no Estado e que a CPI, quando vir ao Paraná no próximo dia 29 de fevereiro, vai avançar nas investigações. Disse no meu depoimento que 90% dos policiais do Paraná são idôneos apesar de receberem baixos salários. Menos de 10% são vagabundos, criminosos que tentam intimidar a maioria honesta, assinalou.
Adauto de Oliveira adiantou que não vai revelar nomes de envolvidos, pelos menos até que a CPI de Brasília desembarque em Curitiba. A Corregedoria da Polícia Civil a pedido do delegado geral da Polícia Civil, Ricardo Noronha também solicitou anteontem os nomes dos suspeitos. O prazo para a entrega da lista vence em quatro dias.





