A coordenação do programa municipal de Merenda Escolar e o Conselho Municipal de Alimentação Escolar (CAE) solicitaram à Secretaria de Gestão Pública que determine a retirada de todos os lotes da carne utilizada pela empresa SP Alimentação nas escolas municipais. Ontem, as representantes do programa e do CAE fizeram vistoria em escolas do município e constataram novas irregularidades. Na quarta-feira passada, em visita à sede da SP Alimentos, o conselho e a Secretaria de Gestão Pública encontraram indícios de má conservação de alimentos e produtos com prazo de validade vencido. As principais reclamações recaem sobre um lote de carne bovina - fraldinha de diafragma - distribuída para as escolas. A SP Alimentação é a empresa terceirizada que serve as refeições para os alunos do município.
De acordo com a gerente do programa Merenda Escolar, Cristina Yoshida, ontem foi constatado que as embalagens da carne apresentam diversos furos. ''Isso permite a entrada de bactérias. As embalagens devem estar zeradas'', afirmou. ''Queremos saber as razões disso porque não está acontecendo só nessa escola.''
Algumas cozinheiras ouvidas pela FOLHA informaram que o peso da carne depois da limpeza de gordura e pele é reduzido à metade. ''Tem dia que a gente passa apertado para dar conta de todos os alunos'', afirmou uma delas. A cozinheira acrescentou que já informou às nutricionistas da SP sobre a má aparência da carne e foi informada de que não há outra disponível. Outra cozinheira apontou que muitas crianças deixam sobras da carne no prato e acrescentou: ''Pior que essa carne é a carne moída. Essa é muito ruim'', afirmou.
A gerente da Merenda afirmou que vai solicitar a substituição da fraldinha de diafragma por outros cortes. ''Eles não informam o volume, mas vamos pleitear a troca de tudo.''
Ontem, o prefeito José Roque Neto (PTB) encaminhou para a Controladoria e Procuradoria do Município cópia do relatório protocolado pelo CAE na sexta-feira com indícios de irregularidades no contêiner refrigerado da SP Alimentação. O controlador Mílson Ciríaco Dias afirmou que vai começar a analisar o caso nesta terça-feira. ''Tudo que está no contrato tem que ser cumprido.'' O procurador Nilso Paulo da Silva também afirmou que vai verificar as providências necessárias.
No final da tarde, Roque Neto recebeu representantes do Sindicato da Alimentação Coletiva - que representa as merendeiras da SP. A entidade manifestou preocupação com o desemprego das funcionárias caso o contrato com a empresa seja rompido.
A SP Alimentação voltou a negar irregularidades nesta segunda-feira. De acordo com nota assinada pela coordenadora regional da empresa, Tereza Cristina Thomazin, ''em dois anos de serviços prestados à comunidade escolar, a empresa tem o orgulho de oferecer uma merenda de qualidade a um preço compatível''. Ela sustenta que o armazentamento da carne é adequado e que um laudo técnico comprova que está apto para consumo humano. Sobre os alimentos com prazo vencido - bebida láctea e requeijão - ela alegou que seriam recolhidos pelas empresas fornecedoras.

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