''Da indignação à ação''. Este é o nome do movimento integrado por juristas, advogados, professores universitários, psicanalistas, médicos, representantes do Ministério Público (MP), de associações de bairro, entre outros representantes da sociedade civil que reuniu mais de 230 mil assinaturas em defesa da moralidade político-eleitoral no país.
O documento será entregue hoje ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Velloso, e ao Movimento Pró-Congresso, pelo advogado e e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, pelo presidente da Comissão Justiça e Paz da CNBB, Chico Whitaker, e pelo professor de Direito Penal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), René Ariel Dotti. ''As pessoas que estão assinando estão dizendo não à impunidade, que as coisas não podem terminar em 'pizza', que os culpados sejam punidos. Isso denota bem a necessidade de uma reforma política profunda no país. É a expressão de pessoas Brasil afora, mostrando para o Congresso qual a expectativa social em relação a atuação deles'', argumentou Whitaker.
O manifesto expõe o posicionamento das entidades frente ''à grave crise política que o Brasil está vivendo''. ''As próximas eleições gerais de 2006 têm de ser realizadas já sob novas regras, sob pena de reedição dos vícios e mazelas hoje escancarados à opinião pública. O momento é de um real esforço de salvação nacional'', complementa o cabeçalho do abaixo-assinado. O movimento defende que seja imediatamente emendada à Constituição Federal encurtando o prazo para alteração da legislação eleitoral de um ano antes do pleito para seis meses; e que seja imediatamente iniciado, em todo o Brasil, através de audiências públicas suprapartidárias, um processo amplo de discussão das mudanças em nosso sistema político e eleitoral.
Whitaker também defende que o TSE adote mecanismos mais eficientes de fiscalização das campanhas. ''Uma das coisas que estão sendo pensadas são os sistemas em que os gastos das campanhas possam ser visualizados de forma contínua através da internet, e a forma de entrega da prestação de contas a idéia é que se faça em audiência pública. O TSE pode intensificar a campanha em torno do que é lícito e ilícito na campanha, como o uso excessivo de cabos eleitorais, compras de votos e poderia, por exemplo, montar um disque-denúncia, convidando a população a fiscalizar o processo eleitoral'', elencou.
Os representantes do movimento também participarão de uma audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a reforma político-eleitoral. Assinam o manifesto lançado dia 31 de agosto entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), Instituto Sou da Paz, Ministério Público, e Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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