Entidades empresariais defendem austeridade nas contas públicas
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de maio de 2016
Chris Beller<br>Especial para a Folha 
Curitiba - "Todo o empresariado brasileiro espera que um possível governo Temer reduza os gastos com a máquina pública e faça a economia andar sem criar novos impostos." A declaração do presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Antônio Miguel Espolador Neto, resume a expectativa de vários setores da economia no Estado, caso o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) se consolide e assuma o vice Michel Temer (PMDB).
Nessa mesma linha, o presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), José Eugenio Gizzi, estima que um novo governo traga "alguma perspectiva para que o País saia dessa pasmaceira". Segundo ele, o Brasil precisa de investimentos públicos ou em parceria com o setor privado de 3% do PIB só para manter o que tem e no ano passado investiu menos de 2% do PIB. "Para crescer, o País precisa de pelo menos 5% do PIB em investimentos e isso só vai acontecer se os atores da economia perceberem um clima de eficiência administrativa na gestão pública. Se o governo mostrar austeridade no gasto vai ganhar credibilidade e os investidores vão se sentir seguros."
Mesmo assim, Gizzi não acredita que os resultados mesmo que interrompida a curva decrescente de investimentos - possam ser sentidos neste ano. Preocupação compartilhada por outros setores.
"Mais do que ser contra ou a favor da saída da Dilma, precisamos é que esse processo político seja rápido e que quem assuma retome investimentos. O País está parado e não podemos ter mais um ano de PIB negativo. São empregos e dinheiro que estamos perdendo", preocupa-se José Roberto Ricken, presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).
"É utopia pensar que a economia será retomada sem um ajuste fiscal", avalia Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Em entrevista à FOLHA, nesta semana, ele disse não esperar nenhum pacote de bondade para a indústria por parte de Temer. "Não vamos imaginar que o governo vai chegar desonerando a folha de pagamento, trazendo juros negativos. O que a gente espera são políticas públicas para o setor de médio e longo prazos."


