Arquivo FolhaRecuar, jamaisGarcia: ‘Vou até o fim. Exerço um cargo de confiança do governador’Representantes de sete entidades entregaram ontem à tarde ao presidente do Banestado, Manoel Campinha Garcia Cid, o Neco Garcia, um manifesto de solidariedade pelas declarações dadas por ele no início da semana quando chamou os deputados estaduais de ‘‘maus pagadores’’. As declarações causaram efeito ‘devastador’ na Assembléia Legislativa e culminaram com o pedido de saída de Neco Garcia da presidência do banco, coordenado pelo presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL).
O manifesto foi lido e entregue pelo presidente da Sociedade Rural do Paraná, Luiz Roberto Neme. Além da SRP, assinam o documento o Sindicato Rural de Londrina, a Associação Comercial e Industrial de Londrina, a Valcoop, a Cativa, a Confepar e o Grupo Promotor do Desenvolvimento Regional. ‘‘Suas declarações e sua posição de defesa intransigente do erário público, patrimônio de todos e não apenas de um grupo que se julga acima do bem e do mal, soam como música para os ouvidos dos homens de bem de todo o Paraná. Mas saiba que todos esses homens o apóiam e comungam de sua ira contra a malversação de fundos...,’ diz um trecho do manifesto, de sete parágrafos.
‘‘A conduta dele é de quem quer fazer o melhor pela instituição de forma ética e profissional’’, argumenta Neme. Neco Garcia é presidente licenciado da SRP. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e do diretório estadual do PFL, José Carlos Gomes de Carvalho, o Carvalhinho, esteve ontem em Londrina e também elogiou o dirigente. ‘‘O Neco poderia dizer não só dos deputados, mas também das grandes empresas inadimplentes. Se queremos sanear o Paraná, devemos envolver não só a classe política, mas os empresários e pessoas físicas que vivem contando papo por aí enquanto são inadimplentes’’.
‘‘Posso falar porque não devo nada para o Banestado e para nenhum outro banco’’, completou Carvalhinho. Outro que visitou Londrina ontem foi o deputado federal Ricardo Gomyde (PCdoB), que classificou de ‘‘corajoso’’ o pronunciamento de Neco Garcia. Para ele, é importante saber por que o Estado não está executando os inadimplentes e descobrir se a liberação de recursos para políticos está obedecendo a critérios políticos. ‘‘Que negociata há por trás disso?’, questionou o deputado que, como Carvalhinho, afirma: ‘‘Graças a Deus não tenho empréstimo nenhum lᒒ.
O prefeito Antonio Belinati (PDT) também defendeu o presidente do Banestado. Para ele, o maior problema não é deputado ou empresário devedor e sim a figura do caloteiro. ‘‘O povo aceita o devedor porque ele negocia, mas o caloteiro, que usa da prerrogativa do cargo para tirar vantagem, o povo não suporta’’, argumentou. ‘‘E a população exige que o detentor de cargo público não seja tratada de maneira diferenciada’’.
Neco Garcia agradeceu as manifestações e disse que não vai deixar a presidência do Banestado. ‘‘Vou até o fim. Exerço um cargo de confiança do governador’’, garantiu.

mockup