A sociedade londrinense quer que o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, desembargador Paulo Roberto Vasconcelos, designe um magistrado específico para cuidar dos processos resultantes das operações Publicano, Voldemort e de combate à exploração sexual de menores investigadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crimes Organizado (Gaeco) de Londrina, a fim de que as ações judiciais não prescrevam. O Gaeco é um braço do Ministério Público especializado em combater crimes de colarinho branco.
O pedido é feito em uma carta aberta aprovada anteontem, durante a audiência pública "Os Desafios do Combate ao Crime Organizado", promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná na Câmara de Vereadores de Londrina na noite de anteontem. O evento foi uma forma de demonstrar apoio ao trabalho exercido pelo Ministério Público no município e, em especial, aos envolvidos nas apurações destes casos, que relatam sofrer pressão velada contra as apurações.
Na ocasião, os promotores que atuam nestes casos deram seus depoimentos sobre o andamento das investigações, ao lado do coordenador do Gaeco no Paraná, Leonir Batisti. Para ele, Londrina tem uma característica diferente dos outros lugares. "Parece que não são grupos da sociedade civil organizada que apoiam e confiam no MP, mas a população toda. Foi isso que vi nesta noite", afirmou.
A Operação Publicano desvelou um esquema de cobrança de propina dentro da Receita Estadual para aliviar ou evitar aplicação de multas a empresários. Já a Voldemort apurou suposta fraude em licitação para beneficiar uma oficina de Cambé que ficaria responsável pela manutenção de veículos oficiais. O estabelecimento pertenceria ao parente distante do governador Beto Richa (PSDB), Luiz Abi Antoun – que também teria envolvimento com desvios na Receita. O esquema de exploração sexual de menores também envolve auditores fiscais e até o ex-assessor da Casa Civil Marcelo Caramori.
A carta aberta ao presidente do TJ leva em consideração a envergadura das pessoas investigadas e já denunciadas por envolvimento nesses esquemas. O documento indica como "juiz natural" o da 3ª Vara Criminal – designada ao magistrado Juliano Nanuncio – porque as primeiras ações foram distribuídas a esta comarca.
No fim da redação, a carta recorda o caso AMA/Comurb, ocorrido em Londrina há 15 anos e que já teve várias ações prescritas "por conta do grande número de acusados e as dificuldades processuais inerentes de casos de grande envergadura como esse que agora nos é apresentado".
Criadora de uma página no Facebook intitulada "Vai Gaeco!", Neli Beloti diz que a intenção é "implorar ao TJ que não acabe em pizza mais uma vez". A professora universitária disse que criou a comunidade com o intuito por considerar que o Gaeco merecia um fã-clube. Atualmente, tem mais de 15 mil membros.

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