Um dia depois da aprovação do reajuste de R$ 4,3 mil para R$ 6,8 mil na verba de gabinete dos vereadores de Londrina, representantes de entidades da sociedade civil alertaram ontem para o uso que será feito do dinheiro, pago pelos impostos do contribuinte. Ao contrário do processo de cassação do ex-prefeito Antonio Belinati (junho de 2000), contudo, dessa vez a única mobilização de fato vista foi a de alguns eleitores no Plenário, na sessão de quinta-feira, ''convocados'' de última hora por um apresentador de TV local.
Questionado sobre o assunto, o advogado e membro da organização não-governamental (ONG) Pés Vermelhos, Mãos Limpas, Claudemir Molina, afirmou que a ausência do movimento no acontecimento político desta semana reflete o atual desânimo do grupo ante a ações que ainda tramitam no Ministério Público (MP), algumas das quais referentes ao próprio Belinati. Mesmo assim, Molina destaca que a gratificação obtida nas ações de um passado recente não compensam um problema, na opinião dele, de difícil solução. ''A sociedade está muito pouco mobilizada, mas não tem um canal forte além dos veículos de comunicação. Por muito tempo fomos vistos como 'xerifes' da cidade nos procuravam até quando o combustível subia'', comentou o advogado. Agora que a verba de assessoria na Câmara subiu, Molina que acompanhou a segunda discussão no local da votação pede ao cidadão que ''preste atenção'' ao que ele chama de ''tentativas de se perpetuar no poder''. ''Dá a impressão de que estão contratando cabos eleitorais. Que isso não passe em branco para a próxima eleição'', disse.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham, o ato que ''representou uma legislação em causa própria'' vai merecer destaque da entidade que, se não participou em ato público durante as votações, também não teria se isentado do debate. ''Temos nossos informativos, pelos quais faremos a fiscalização da postura dos vereadores e as tornaremos públicas'', avisou.
Presidente da Subseção Regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina, José Carlos da Rocha frisou a legalidade do processo de aprovação do reajuste, mas o considerou ''imoral''. Rocha não defende uma fiscalização externa de como os vereadores vão usar a verba, e sim uma conscientização dos próprios parlamentares. Os dois placares de 11 votos a favor e sete contra não põem em xeque a expectativa? ''Acho que não, mas a OAB só poderia intervir quanto ao aspecto legal da iniciativa'', afirmou. (J.G.)

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