Entidades condenam Lei da Mordaça
Patrícia Zanin
De Londrina
Presidentes de entidades paranaenses que representam procuradores e juízes acreditam que o recuo do Congresso em relação à Lei da Mordaça pode representar sua reprovação. A lei que proíbe a divulgação de processos em andamento e a manifestação de integrantes do Ministério Público, de magistrados e policiais foi aprovada na Câmara, mas encontra resistência no Senado, onde será votada. As críticas vêm sendo feitas por senadores de todos os partidos. Os três do Paraná Osmar Dias (PSDB), Alvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB) já declararam que votam contra.
Para o procurador-geral de Justiça do Paraná e presidente do Conselho Nacional dos Procuradores-gerais de Justiça do Brasil, Gilberto Giacóia, a manifestação do Senado é reflexo da má repercussão do projeto diante da sociedade. A classe política começa a avaliar o prejuízo político de se aprovar um texto dessa natureza e faz com que tenhamos esperança de que esse sentimento se estenda à Câmara e sirva como espírito de corpo da democracia, para decretar de vez a falência desse tipo de proposta.
Giacóia acredita, porém, que a expectativa de que o projeto seja reprovado não deve inspirar um clima de vitória antecipada. Ninguém está lutando por vantagens pessoais. Procuradores, promotores, juízes, delegados e a imprensa estão defendendo um princípio democrático que é o direito público do cidadão à informação. Ele disse que os abusos devem ser coibidos, mas já existem mecanismos suficientes.
Na avaliação do procurador-geral de Justiça do Paraná, a cobrança constante da sociedade e da imprensa ao Ministério Público é altamente salutar. A investigação é inclusive auxiliada. Muitos elementos chegam à promotoria depois de que a sociedade é informada, lembra.
O presidente da Associação Paranaense de Juízes Federais (Apajufe), João Pedro Gebran Neto, disse que o recuo do Senado significa uma tomada de consciência pelo poder político e o público de que a lei não seria razoável. Além de ferir o próprio interesse da coletividade, emendou. Tanto ele como Giacóia têm dúvidas sobre a constitucionalidade da lei.
A lei é abusiva e esse recuo mostra que se chegou à conclusão que a idéia é absurda. Os políticos caíram em si e viram que a idéia é infeliz, afirmou Gebran Neto, cuja entidade representa os 50 juízes federais do Paraná.
Para o presidente da Associação dos Magistrados do Paraná, Ruy Fernando de Oliveira, as entidades devem continuar atentas com a tramitação da lei. Não dá para brincar, afirmou. Segundo ele, os juízes têm esperança de que a lei seja modificada, alterada. Até reprovada, reivindicou. Ele classificou-a como uma forma de cerceamento absoluto.
Já para o presidente da OAB-PR, Edgar Luiz Cavalcanti de Albuquerque, infelizmente a lei é bem-vinda. Não devia acontecer, mas perto do que vem ocorrendo, com o estrelismo das autoridades que querem ficar embaixo do flash, aparece em um bom momento, analisou.
Na avaliação dele, a divulgação de processos em andamento muitas vezes se torna uma barbaridade. Um exemplo típico é o caso da Escola-Base, argumentou, referindo-se às denúncias de abuso sexual contra crianças de uma escola de São Paulo supostamente praticadas pelos diretores. As denúncias nunca foram comprovadas. A escola fechou e a reputação de seus proprietários acabou.





