Sindicatos e associações de moradores de Sarandi (7 km a leste de Maringá) começaram ontem a coletar assinaturas para protestar contra a verba de gabinete criada pelos vereadores no mês passado. O objetivo é tentar pelo menos 20 mil assinaturas, número referente a metade dos eleitores do município. Segundo um dos coordenadores do movimento, Aparecido Biancho, o abaixo-assinado pretende reforçar o projeto da oposição que tenta revogar a lei.
A verba de R$ 1,2 mil foi criada a partir de uma emenda no projeto de reorganização orçamentária apresentado pelo Executivo. O que mais revolta os manifestantes, segundo dizem, é o fato de que o dinheiro para bancar a verba – cerca de R$ 216 mil – foi retirado de creches e asfalto. ‘‘A falta de vagas em creches e de ruas asfaltadas são dois dos maiores problemas da população carente de Sarandi’’, disse Biancho.
Dos 15 vereadores, 12 assinaram a autoria da emenda. Em Sarandi, os vereadores recebem salário de R$ 2,4 mil e, além da nova verba de gabinete, o Legislativo tem reservado R$ 13 mil por ano para diárias de viagem. ‘‘A verba de gabinete criada pelos vereadores pode até ser legal, mas não é moral’’, ressaltou o coordenador do movimento. Para Biancho, como a oposição só tem três representantes, a pressão popular se transformou na única alternativa para tentar acabar com a verba e devolver para o orçamento o dinheiro das creches e asfalto.
As assinaturas serão recolhidas até o dia 31 deste mês, quando os manifestantes pretendem entregar o documento durante um protesto na Câmara de Vereadores. Quando a verba foi criada, o presidente da Câmara, José Aparecido da Silva (PT), garantiu que o dinheiro só iria ser utilizado com parecer favorável do Tribunal de Contas (TC). A emenda de Sarandi é semelhante ao projeto da Câmara de Maringá que provocou polêmica por causa de gastos excessivos já no primeiro mês de uso.

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