Entidades cobram rapidez em inquérito sobre gastos do PT
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quarta-feira, 24 de agosto de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Representantes de entidades da sociedade civil de Londrina se reuniram ontem à tarde com o promotor da 41 Zona Eleitoral, Miguel Sogaiar, para manifestar apoio e cobrar celeridade às ações do inquérito que apura denúncia de gastos não contabilizados na campanha do PT pela reeleição.
Durante quase duas horas, filiados a partidos políticos e membros de entidades de classe conversaram com Sogaiar e questionaram o andamento das investigações. Vários deles reforçaram a necessidade de, havendo a comprovação efetiva de crime eleitoral, que os responsáveis sejam punidos conforme prevê a legislação.
Em determinado momento, o promotor informou na reunião aberta à imprensa e à comunidade que ''uma série de medidas'' estão sendo tomadas para se verificar se houve ou não abuso de poder econômico no pleito municipal. Elas não seriam divulgadas por enquanto, explicou, para não causar ''alvoroço na população''.
Em entrevista, Sogaiar não quis citar as ações sugeridas mesmo porque, explicou, algumas dependeriam da comprovação efetiva dos valores denunciados pela ex-assessora financeira Soraya Garcia. Em depoimento ao Ministério Público Eleitoral e à Polícia Federal (PF), Soraya afirmou que o PT, do prefeito Nedson Micheleti, gastou R$ 6,5 milhões não declarados em vez dos R$ 1,3 milhão informados à Justiça Eleitoral. ''Temos que ter cautela e acompanhar a confirmação ou não desses valores para ver se houve mesmo abuso de poder econômico. Dentro de uma linha estratégica, não diremos quais os procedimentos adotados nessa apuração até para não causar polêmicas desnecessárias'', declarou.
Em posição semelhante à de Sogaiar, o presidente da subseção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Carlos da Rocha, defendeu que as testemunhas que depõem à PF sejam intimadas, não mais apenas apresentadas espontaneamente. Para o membro da Associação Odontológica do Norte do Paraná, Adalberto Baccarin, a apuração tem de ser feita ''independentemente da bandeira''. Ele disse apoiar o MP, na ocasião, ''até como cidadão de Londrina''. A avaliação do presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham, também isentou a ação de ontem de qualquer caráter partidário, mas pediu rigor das autoridades. ''É insuportável ver a gestão pública que existe, ainda mais ela, que se coloca sempre como fiscalizadora'', reclamou.
Presidente da organização não-governamental (ONG) Pés Vermelhos, Mãos Limpas, o advogado Miguel Ramos, justificou que o grupo só não se mobilizou antes porque ''a Polícia precisava antes constatar indícios de fraude. Fazer isso na primeira denúncia da Soraya seria uma leviandade'', assegurou.


