Emerson Cervi
De Curitiba
Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), Valmor Weiss, a sociedade organizada precisa continuar a exercer o direito à cidadania no caso das concessões de rodovias, apesar da promessa de criação da agência reguladora nacional. ‘‘Não podemos nos conformar com possíveis acordos eventuais, temos que continuar exigindo a participação efetiva dos usuários nas discussões sobre as concessões de estradas públicas à iniciativa privada’’, afirmou.
O presidente da Fetranspar cobrou mais ação do governo federal no setor. Weiss lembrou que as maiores dificuldades encontradas para a criação da subcomissão de pedágio na Câmara Federal partiram do Ministério dos Transportes. ‘‘O ministério demorou mais de 60 dias para enviar os documentos para o início dos trabalhos’’, lembrou.
O presidente da Fetranspar garantiu que as negociações com o governo do Estado sobre reajuste das tarifas não reduz a importância do Fórum de Usuários. ‘‘Nunca fechamos a oportunidade de diálogo, temos que sentar à mesa para melhorar os programas atuais e impedir que os mesmos erros sejam repetidos em concessões futuras’’, disse.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar), Rui Cichella, concorda com Weiss. ‘‘Estamos buscando um controle maior da sociedade em todo o processo de privatização, não apenas o valor de pedágio.’’ O presidente do Setcepar acredita que mesmo sendo fechado um acordo entre governo, usuários e concessionárias antes do dia 18 sobre os valores das novas tarifas, os seminários organizados pelo Sectecpar com apoio da Folha de Londrina/Folha do Paraná não serão prejudicados. ‘‘O fórum de discussões vai muito além dessa questão’’, garantiu. ‘‘Estamos organizando a maior oportunidade pública de discussão’’.
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, deve analisar amanhã o recurso regimental apresentado pelas concessionárias de rodovias contra a suspensão do aumento de 116% nas tarifas. Se a liminar for derrubada e não houver acordo administrativo, o aumento será a partir da zero hora do dia 27 de fevereiro.