Entidades censuram ação da Câmara contra imprensa
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quarta-feira, 09 de abril de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB/PR), Alberto de Paula Machado, classificou como ''atentado contra a liberdade de imprensa'' a sugestão de se criar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a atuação da imprensa londrinense na cobertura do escândalo de corrupção que assola a Câmara Municipal. A sugestão foi feita na sessão de terça-feira em apoio a declarações do vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), que considerou ''baixaria'' o encaminhamento para a imprensa de problemas relativos a projetos de leis em andamento na Casa.
A reação dos vereadores ocorre após três meses de investigações que já apontaram irregularidades na aprovação de pelo menos seis leis municipais. Para Jamil Janene (PMDB), a eventual CEI deveria convocar membros da imprensa a prestar depoimento e apontar a origem das informações que são publicadas. O único membro da Câmara Municipal que se declarou radicalmente contrário à investigação da imprensa foi o procurador jurídico, Airvaldo Natal Stella Alves.
''Não é possível nos dias de hoje que a gente cogite tal prática. Fazer a imprensa revelar suas fontes é, por via oblíqua, estabelecer restrições à liberdade de informação assegurada na Constituição Federal. Não podemos tolerar restrições'', disse o presidente da OAB. O advogado lembrou que ''esse tipo de atitude lembra os tristes tempos do obscurantismo brasileiro'' - em referência à censura imposta pelo regime militar de 64.
Para o presidente da OAB, o limite da liberdade de imprensa é apenas a ''cautela de não fazer pré-julgamentos''.''Deveríamos estar tratando do mérito das denúncias de que há envolvimento de vereadores na facilitação para aprovação de projetos de lei. Quero crer que essa declaração seja impensada e que uma boa reflexão dos vereadores faça com que mudem de idéia.''
O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná, Ayoub Hanna Ayoub, também não poupou críticas às declarações dos vereadores. Para ele, ''a imprensa de Londrina está de parabéns pela cobertura dos escândalos na Câmara''.''Temos a repercussão que a sociedade merece'', afirmou.
Segundo Ayoub, os jornalistas que cobrem o Legislativo não têm ''nenhuma obrigação'' de atender convocações para depor ou revelar suas fontes. ''Isso representa uma tentativa de amordaçar e impedir o trabalho da imprensa.''
O representante dos jornalistas destacou também que os assuntos tratados pelos vereadores são de natureza pública. ''A Câmara desempenha um serviço - e às vezes desempenha muito mal - para a cidade de Londrina. Portanto, trata-se de asunto para a imprensa, sim, e não pode haver segredos'', afirmou.


