O presidente da Associação de Combate à Corrupção de Umuarama (Accepa), Osmair Salustiano dos Santos, vai entregar hoje ao corregedor-geral do Ministério Público, Hélio Lewin, um ‘‘dossi꒒ com denúncias de fraude eleitoral, corrupção administrativa e suposta conivência de promotores.
O corregedor está desde ontem em Umuarama para uma correição geral ordinária no Ministério Público da comarca. Segundo Santos, foram feitas várias denúncias de compra de votos e de uso da máquina administrativa durante a campanha em Umuarama. ‘‘Em alguns casos, até hoje o inquérito não foi concluído’’, reclama.
A Accepa também vai cobrar providências em relação a uma denúncia encaminhada em outubro à Procuradoria-Geral de Justiça, segundo a qual o promotor eleitoral João Batista teria se recusado a ouvir uma testemunha que queria ficar no anonimato por medo de represálias. A testemunha teria provas de que um candidato a vereador estaria distribuindo material de construção em troca de votos. Batista teria destratado a testemunha e os advogados que levaram o caso ao seu conhecimento.
Ontem, o presidente do PL, Paulo Castelani, entregou um ofício ao corregedor pedindo agilidade no processo que busca levantar provas de fraude na eleição de outubro. Derrotado pelo prefeito Fernando Scanavaca (PPB), Castelani diz ter muitos indícios de fraude na votação eletrônica, que a Justiça teria se recusado a apurar.
Denúncias do PL sobre irregularidades na votação e a retirada de uma urna do depósito por um funcionário sem autorização do juiz eleitoral foram indeferidas pelo juiz Luiz Alberto Marques dos Santos, por terem sido apresentadas fora do prazo. Castelani recorreu ao Tribunal de Justiça, mas os desembargadores mantiveram a decisão do juiz.
Agora, Castelani quer cópias dos arquivos de imagem das urnas eletrônicas que, segundo especialistas, poderiam comprovar possíveis fraudes na votação. O pedido foi feito em 2 de fevereiro. O juiz abriu vistas ao MP, que ainda não se manifestou.
Antes de receber o ofício do PL, o corregedor Hélio Lewin disse à Folha que não tinha conhecimento de denúncias ou reclamações contra os promotores. ‘‘A correição é feita a cada dois anos para fiscalizar e orientar o trabalho do MP’’, informou. Segundo Lewin, qualquer denúncia ou reclamação apresentada durante a correição será investigada.

mockup