Curitiba - A Fundação Estadual de Cidadania (FEC), que coordenou no primeiro semestre deste ano o Consórcio Social da Juventude (CSJ), um braço do programa Primeiro Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego no Paraná, refutou ontem as acusões de irregularides e suposto desvio de verbas durante a gestão do programa. As denúncias partiram das seis entidades que executaram as oficinas de capacitação dos jovens sob a orientação da FEC. De acordo com um documento repassado pelas executoras do programa, faltou registrar o repasse de pelo menos R$ 500 mil.
Para rebater as acusações a FEC apresentou à imprensa um breve relatório com os gastos durante a execução do CSJ. Ao contrário do que alegam as entidades executoras, que afirmam ter recebido apenas R$ 190 mil para o custeio de educadores e gastos básicos das entidades (ao invés de R$ 690 mil, como alegam no documento), a FEC afirmou que foram repassados R$ 293 mil e que este dinheiro é para o custeio exclusivo dos educadores, como previu o CSJ. O presidente da FEC, Edson Padilha, alegou ainda que sua entidade participou também como executora, além de coordenar o CSJ, e que não há problema legal nisso.
A FEC mostrou os orçamentos que teria feito para o processo de licitação do lanches dos 800 jovens que participaram do programa, questão que tinha sido levantada como suspeita. Justificou que as cópias dos materiais didáticos foram feitas para diminuir custos e negou que os materiais de consumo enviados para as entidades fossem de má qualidade. ''Temos toda a nossa documentação em nota fiscal e entregamos tudo ao TCU'', argumentou o presidente da FEC. Depois da denúncia feita no Paraná, o TCU está investigando todos os CSJs no Brasil.
A FEC, cujos membros são todos ligados ao PT, argumenta que as entidades querem dar uma conotação política à questão por causa do momento político que o país vive. O documento redigido pelas entidades aponta pessoas ligadas ao deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) como coordenadoras da FEC. Uma delas é Maurício Chelli, que hoje é assessor do gabinete do deputado e, durante o CSJ, exerceu a função de coordenador de insersão. ''Na época do programa eu não estava trabalhando no gabinete do deputado'', defendeu-se Chelli.
A procuradora do Ministério Público do Trabalho, Margareth Mattos, que tem seu nome no documento como representante da entidade executora Instituto Lixo e Cidadania (Ilix), informou ontem à Folha que todos os problemas administrativos relatados no parecer são verdadeiros, porém negou que as entidades em algum momento tiveram a intenção de fazer qualquer vinculação política. A procuradora afirmou que a versão do documento repassado à imprensa é um pouco diferente da original. ''A entidade âncora não nos ajudou o suficiente. Ela exauriu tudo que pôde das executoras. Foi traumático. Mas os problemas que constatamos foram, em princípio, administrativos'', afirmou.

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